Servidora denuncia assédio sexual contra servidor na Prefeitura de Paranaguá e aciona a Polícia Civil

​O cenário de assédio em órgãos públicos paranaenses ganha um novo e alarmante capítulo. Na tarde desta segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, uma funcionária pública de Paranaguá registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil, acusando um colega de cargo — também servidor público — de assédio sexual e tentativa de agressão física.

​Acompanhada por sua advogada, a Dra. Roselleine Nascimento de Paula, a vítima apresentou provas de atos que teriam ocorrido em abril de 2025. O relato detalha um ambiente de trabalho hostil e abusivo, onde o diálogo profissional foi substituído por investidas de cunho sexual explícito.

​Mensagens explícitas e tentativa de contato físico

​Segundo o depoimento, o acusado teria enviado mensagens de texto com teor altamente ofensivo e degradante. Em trechos anexados à denúncia, o servidor teria escrito frases como “quase esqueci: te chupar todinha também” e “sou louco para te levantar na r0l4”.

​A denúncia, contudo, vai além do assédio virtual:

  • Investida Física: A vítima afirma que o servidor tentou agarrá-la sem consentimento dentro do ambiente de trabalho.
  • Acolhimento Negado: Ao procurar a administração municipal para reportar o ocorrido, a servidora alega ter recebido orientações para não prosseguir com as medidas legais, em uma clara tentativa de silenciamento.
  • Falta de Transparência: A vítima solicitou acesso à Ata nº 67/2025, que deveria registrar o procedimento administrativo interno, mas afirma que até agora não obteve retorno sobre o andamento da apuração.

​Contexto: O silêncio institucional em xeque

​Este caso surge em um momento em que a transparência nas prefeituras do litoral paranaense é alvo de cobranças rigorosas pela sociedade civil. A orientação para “não denunciar” — se confirmada — coloca a gestão pública em uma posição delicada, podendo configurar prevaricação ou omissão.

​”A prioridade deve ser sempre a proteção da vítima e o combate firme a qualquer forma de violência de gênero. O afastamento imediato do suspeito é a medida padrão esperada para garantir a integridade do ambiente de trabalho”, afirma a defesa da servidora.

​Próximos Passos

​A Delegacia da Mulher de Paranaguá assumiu o caso e deve intimar o acusado e possíveis testemunhas nos próximos dias. Caso as investigações confirmem o teor das mensagens e a tentativa de contato físico, o servidor poderá responder criminalmente por importunação sexual e assédio, além de enfrentar processos administrativos que podem levar à sua exoneração.

Canais de Denúncia:

Se você é vítima ou testemunha de assédio, procure a Delegacia da Mulher ou ligue para o 180 (Central de Atendimento à Mulher).

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