Sindicato dos Metalúrgicos Desafia Gigante Straumann e Pede Intervenção do Governo do Paraná

Metalúrgicos da ClearCorrect e Neodent rejeitam proposta patronal e dão ultimato; Trabalhadores denunciam assédio e salários incompatíveis com isenções fiscais bilionárias concedidas pelo Estado

A tensão atingiu o ponto máximo na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), onde a gigante global do setor de implantodontia, Straumann Group — controladora das marcas Neodent e ClearCorrect —, enfrenta uma forte mobilização do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC). Em um movimento que transforma a disputa salarial em um debate sobre responsabilidade pública, o sindicato exige negociação direta e a intervenção do Governo do Paraná na fiscalização das contrapartidas sociais para os milionários incentivos fiscais concedidos às empresas.

​A última atualização (12/12/2025) aponta para um aprofundamento do conflito, com o vice-presidente do SMC, Nelsão da Força, liderando protestos em frente à fábrica contra o que o sindicato classifica como “demissões em massa”.

Rejeição em Massa e Risco de Greve

​As últimas novidades indicam que o clima é de insatisfação generalizada. Em votação online realizada pelo SMC nos dias 5 e 6 de dezembro, a maioria esmagadora dos metalúrgicos (cerca de 74,56% dos 806 votantes) rejeitou a proposta de acordo salarial oferecida pelo sindicato patronal (Sindimetal).

​Com a recusa, o SMC deu um prazo de 48 horas para que a direção das empresas procure a entidade representativa dos trabalhadores, sob pena de deflagração de uma greve por tempo indeterminado.

Faturamento Bilionário vs. Salários de R$ 3.500

​O cerne da denúncia do SMC é o abismo entre o sucesso financeiro do grupo e as condições de trabalho. O Straumann Group, de origem suíça, reportou um faturamento global de aproximadamente R$ 27 bilhões (CHF 2,504 bilhões) em 2024.

​Apesar da escala global de lucros, os trabalhadores em Curitiba — que atuam na produção de componentes de ortodontia — relatam assédio moral, excesso de horas, pressão abusiva por metas, e uma remuneração média considerada baixa, em torno de R$ 3.500,00, além de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) congelada.

​”A empresa cresce, mas o trabalhador paga a conta,” resume o sindicato.

O Debate da Isenção Fiscal

​A polêmica ganha contornos de interesse público por envolver renúncias fiscais. Documentos indicam que empresas ligadas ao setor receberam incentivos fiscais federais que somam mais de R$ 31,8 milhões entre 2021 e 2024.

​O SMC e seus dirigentes, como Sérgio Butka (Presidente do SMC), têm pressionado o Governo do Estado do Paraná a não apenas mediar o impasse, mas a investigar se as isenções fiscais estão cumprindo sua função social, que é gerar empregos de qualidade e garantir o respeito aos direitos trabalhistas.

​Os trabalhadores e o sindicato exigem:

  1. ​Negociação direta com o SMC.
  2. ​Investigação das denúncias de assédio moral.
  3. ​Mediação do Governo do Estado.
  4. ​Revisão das contrapartidas éticas vinculadas aos incentivos públicos.

​O conflito, que envolve uma das maiores empresas do setor no estado, coloca o Governo do Paraná sob pressão para demonstrar que o desenvolvimento econômico da região caminha de mãos dadas com o progresso social e a dignidade dos metalúrgicos. O SMC aguarda uma posição oficial da empresa e do Palácio Iguaçu.