Sindicatos empresariais e CNC mobilizam senadores contra a PEC do fim da escala 6×1 antes do pleito eleitoral

Entidades representativas dos setores de comércio, serviços e turismo lançaram uma campanha ostensiva direcionada aos senadores para adiar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da jornada 6×1 e a redução da carga horária de trabalho nacional. A iniciativa, liderada por entidades como a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apela por “sensatez e serenidade” e pede que a apreciação da matéria ocorra apenas após as eleições.

Sob o mote “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não”, o movimento empresarial argumenta que votar um tema de expressivo impacto econômico em meio ao ambiente político pré-eleitoral pode induzir a decisões precipitadas. Segundo os organizadores, alterações de grande porte nas Leis do Trabalho exigem debate aprofundado com a sociedade e os agentes produtivos, sem a pressão do calendário das urnas.

Votação decisiva na Comissão de Justiça

A mobilização do setor privado ocorre em um momento crítico do calendário legislativo no Senado Federal. A expectativa do Congresso Nacional é que a PEC seja apreciada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta-feira (2). A matéria já conta com relatório favorável no colegiado e representa a principal prioridade da última janela de votações presenciais antes do primeiro turno das eleições.

Se aprovada na CCJ, a proposta estará apta a seguir para o plenário da Casa, embora parlamentares reconheçam que ainda há incertezas sobre o quórum necessário para deliberação em sessão plenária nesta reta final de trabalhos.

Alertas econômicos versus avanço legislativo

Representantes do varejo e de serviços alegam que a transição abrupta ou não planejada para a nova escala de descanso trará alta expressiva nos custos operacionais, risco de elevação da inflação e repasse de preços ao consumidor final. Por outro lado, defensores do projeto e centrais sindicais destacam que a redução progressiva da jornada de trabalho para no máximo 40 horas semanais garante dois dias de descanso remunerado, melhora a saúde mental dos trabalhadores e alinha o Brasil às tendências de bem-estar laboral aplicadas em outros países.


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