O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), enviou um recado silencioso, mas contundente, ao clã Bolsonaro nesta semana ao cancelar uma visita que faria ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio, justificado oficialmente como uma questão de “despachos internos”, ocorre em um momento de crescente tensão sobre os rumos da direita para as eleições de 2026.
O impasse da visita e o “fogo amigo”
A visita estava agendada para ocorrer no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, onde Bolsonaro se encontra detido. No entanto, o movimento de Tarcísio de recuar no último momento foi interpretado por analistas e aliados como uma reação direta às pressões exercidas pelos filhos do ex-presidente.
Recentemente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi alçado pelo pai à condição de sucessor oficial para a disputa presidencial. O movimento, ratificado por Jair Bolsonaro em uma carta manuscrita no último Natal, colocou Tarcísio em uma posição delicada. O clã espera que o governador paulista não apenas apoie Flávio, mas que cogite ser seu vice — uma hipótese que Tarcísio descarta publicamente, reiterando seu desejo de buscar a reeleição em São Paulo.
A pressão de Eduardo e o “CEO do Brasil”
A temperatura política subiu após declarações de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que afirmou que Tarcísio “não tem a opção” de não apoiar a candidatura da família, citando a lealdade devida ao padrinho político que o elegeu.
Somado a isso, um incidente envolvendo a primeira-dama paulista, Cristiane Freitas, gerou desconforto. Cristiane comentou em uma rede social que o Brasil precisaria de um “novo CEO”, referindo-se ao marido, comentário que foi curtido por Michelle Bolsonaro. O gesto foi visto como uma afronta por Flávio e Eduardo, aprofundando o desgaste entre as alas “raiz” e “moderada” do bolsonarismo.
Estratégia de sobrevivência e 2026
Para interlocutores do Palácio dos Bandeirantes, o recado de Tarcísio é claro: ele mantém a gratidão e a lealdade pessoal a Jair Bolsonaro, mas não aceita ser “submisso” nem tutelado pelos filhos do ex-presidente. Ao evitar o encontro nesta quinta-feira (22), Tarcísio evitou ser palco de uma cobrança pública por engajamento na campanha de Flávio.
Enquanto a família Bolsonaro tenta fechar o cerco para garantir o controle do espólio político da direita, Tarcísio de Freitas foca na gestão de São Paulo e mantém pontes com o centro e o mercado financeiro — setores que o enxergam como o nome mais competitivo para enfrentar o presidente Lula, apesar de sua insistência em focar no governo estadual.
A visita foi remarcada para a próxima quinta-feira (29), sob nova autorização do ministro Alexandre de Moraes (STF), mas o clima de desconfiança mútua permanece como a tônica da relação entre o governador e o clã da Flórida.




