O sonho do Trem de Alta Velocidade (TAV), que cruzou décadas como uma das promessas mais ambiciosas da infraestrutura brasileira, ganhou um novo capítulo em janeiro de 2026. A empresa TAV Brasil, detentora da autorização para o empreendimento, confirmou um novo ajuste no cronograma: o início das obras, antes previsto para 2027, foi oficialmente postergado para 2028.
Apesar do adiamento do “pontapé inicial”, a concessionária mantém a meta de iniciar a operação comercial em 2032. O projeto atual, orçado em R$ 60 bilhões, marca uma mudança drástica em relação às tentativas do passado: desta vez, o modelo é 100% privado, sem aporte direto de recursos da União.
O que trava os trilhos em 2026?
A justificativa para o novo atraso recai sobre a complexidade do licenciamento ambiental. Segundo a TAV Brasil, o processo junto ao Ibama tem avançado em ritmo mais lento do que o esperado. Como o projeto não foi incluído no Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal, ele não goza da prioridade de análise conferida a obras estatais, enfrentando a fila comum de licenciamentos do órgão.
O novo traçado: Menos paradas, mais velocidade
Diferente do projeto original de 2007, que previa até oito estações, a versão atual é mais “enxuta” para garantir a viabilidade financeira e a velocidade competitiva frente à ponte aérea:
- Extensão: 417 km de trilhos.
- Estações confirmadas: São Paulo (capital), São José dos Campos (SP), Volta Redonda (RJ) e Rio de Janeiro (capital).
- Tempo de viagem: Aproximadamente 105 minutos (1h45) entre as duas metrópoles.
- Velocidade máxima: 320 km/h a 350 km/h.
Custos e viabilidade
Para o passageiro, a conveniência terá um preço. As estimativas atuais apontam passagens variando entre R$ 300 e R$ 500. A TAV Brasil aposta na integração com sistemas de metrô e trens urbanos (como a Linha 13-Jade em SP e a SuperVia no RJ) para atrair parte dos 30 milhões de passageiros que circulam anualmente pelo eixo.
Status do Projeto (Janeiro/2026):
- Estudos Técnicos (EVTEA): Previsão de conclusão até o fim de 2026.
- Licenciamento Ambiental: Em andamento; meta de obtenção das licenças até 2027.
- Investimento: Estruturação de consórcio com empresas chinesas e europeias.
Linha do tempo: De promessa a projeto privado
- 2007: Projeto anunciado pelo governo como vitrine para a Copa de 2014.
- 2012: Criação da estatal EPL (hoje incorporada à Infra S.A.) para gerir o TAV.
- 2021: Marco Legal das Ferrovias permite que empresas privadas construam linhas por autorização.
- 2023: ANTT autoriza a TAV Brasil a explorar o trecho por 99 anos.
- 2026: Início das obras é adiado para 2028 devido a gargalos burocráticos.
Embora o cenário de 2026 mostre um amadurecimento institucional e a saída do peso do investimento público, o “fantasma” dos atrasos continua a rondar o projeto. O desafio agora é transformar as pilhas de documentos e estudos ambientais em canteiros de obras visíveis.




