Técnicos de enfermagem denunciam assédio moral e condições insalubres no Hospital Regional do Litoral (HRL)

Uma série de denúncias graves vindas de profissionais do Hospital Regional do Litoral (HRL) expõe um cenário de profunda crise humanitária e trabalhista na instituição. Relatos obtidos com exclusividade revelam que técnicos de enfermagem estariam submetidos a regimes de trabalho análogos à tortura psicológica, falta de insumos básicos e manobras contratuais que impedem o direito constitucional ao descanso.

​O “Cárcere” do Cuidado: Assédio e Privação

​No centro das acusações de assédio moral está uma enfermeira da clínica médica, identificada pelas iniciais R.A. Segundo os relatos, a profissional impõe um regime de medo, proibindo a equipe de sentar-se durante o plantão de 12 horas e cerceando o intervalo para refeição.

​“Trabalhamos sob ameaça constante. Se sentarmos, há consequências”, afirma um denunciante que prefere o anonimato por medo de demissão.

​Além da pressão psicológica, os trabalhadores enfrentam condições físicas extremas. Sem climatização adequada em uma região de altas temperaturas, técnicos relatam o uso de toalhas molhadas no pescoço para evitar desmaios, enquanto goteiras de ar-condicionados formam poças nos quartos dos pacientes.

​Insumos do Próprio Bolso e Precarização

​A crise estrutural do HRL, gerido pela FUNEAS (Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná), obriga profissionais a levarem materiais de higiene de suas próprias casas para garantir o atendimento mínimo aos pacientes.

Os principais pontos da crise trabalhista incluem:

  • Rotatividade Programada: Troca de empresas terceirizadas a cada seis meses para evitar o acúmulo de tempo para férias.
  • Revistas Invasivas: Relatos de abertura de bolsas particulares pela chefia sem autorização legal.
  • Saúde Mental em Colapso: Menções a casos de depressão profunda e menção a um episódio de suicídio na categoria.

​O Embate Sindical e a Resposta das Autoridades

​A denúncia também atinge o SINDEESP. O presidente da entidade, Jaime da Saúde, é acusado por trabalhadores de omissão e falta de representatividade. Em nota oficial, Jaime defendeu-se afirmando que o sindicato possui dezenas de ações judiciais e que não recebeu “comunicação oficial” sobre este caso específico, destacando ainda que o SINDSAÚDE também divide a representação dos trabalhadores no local.

Contexto Atualizado:

Recentes fiscalizações do Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR) em hospitais do estado têm apontado o dimensionamento inadequado de pessoal como um problema crônico. No caso do HRL, a SESA (Secretaria de Estado da Saúde) tem sido questionada sobre a manutenção predial e a fiscalização dos contratos de terceirização. Até o momento, a SESA e a direção do hospital não emitiram um posicionamento oficial sobre as novas acusações de maus-tratos.

​Próximos Passos

​O caso deve ser encaminhado ao Ministério Público do Trabalho (MPT). A gravidade dos fatos — que une assédio moral, violação de normas de segurança do trabalho e possível negligência assistencial — exige uma intervenção imediata dos órgãos de controle.

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