Trabalhadores e centrais sindicais realizam ato no Rio e pressionam Davi Alcolumbre pelo fim da escala 6×1

Manifestações em mais de 20 cidades tentam destravar a PEC 221/2019, que reduz a jornada semanal para 40 horas e está paralisada no Senado

Rio de Janeiro — Um protesto realizado na manhã desta terça-feira, no Rio de Janeiro, marcou o início do Dia Nacional de Mobilização pelo fim da jornada de trabalho na escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso). O ato abriu uma série de manifestações organizadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), pelo movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e pelas frentes populares Povo Sem Medo e Brasil Popular, que preveem ações em pelo menos 21 cidades de 14 estados e no Distrito Federal.

​O principal alvo da pressão popular é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Os manifestantes protestam contra a paralisação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que propõe a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas e prevê dois dias de repouso semanal remunerado, sem corte nos salários. O texto, que já foi aprovado na Câmara dos Deputados, está parado na mesa do Senado há mais de um mês, após Alcolumbre se reunir com lideranças empresariais.

​Na capital fluminense, centenas de trabalhadores caminharam por cerca de 6 quilômetros, ocupando trechos da Avenida Brasil — uma das principais vias de acesso ao centro da cidade. Entre os relatos, a exaustão física e mental é a principal queixa. “Nós estamos cansados!”, desabafou a operadora de caixa Fátima Dantas de Souza Alves, de 22 anos, destacando que ter mais um dia de folga representaria alívio na rotina exaustiva de trabalhar em pé.

​Reunião crucial e impasse no Senado

​Para tentar romper a inércia do Congresso, representantes das centrais sindicais e de movimentos sociais têm uma reunião agendada com Davi Alcolumbre. O objetivo do encontro é estabelecer um cronograma claro e destravar a pauta na Casa de modo a dar andamento à tramitação constitucional.

​Apesar do otimismo do Governo Federal, que vinha sinalizando o desejo de aprovar a medida rapidamente, o debate enfrenta forte resistência nos bastidores legislativos. O setor produtivo e entidades patronais pressionam por mudanças drásticas no texto. Setores como o da construção civil e a indústria defendem que a implementação não seja imediata, cobrando um período de transição gradual de até quatro anos (com início em 2027 e conclusão em 2030) sob a justificativa de que o fim abrupto da escala 6×1 trará impactos severos aos custos operacionais e inflação de produtos e serviços.

​Por outro lado, os movimentos sindicais alertam para os riscos de desidratação da proposta ou de substituição do texto por emendas de partidos de oposição que possam flexibilizar outros direitos trabalhistas. A TV Senado confirmou que a PEC que reduz a jornada de trabalho começará a ser debatida oficialmente em comissões, em meio ao clima de forte mobilização das bases trabalhistas por todo o país.


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