A falta de transparência na destinação de recursos públicos voltou ao centro dos debates em Brasília. Um levantamento detalhado publicado pela organização Transparência Brasil revelou que a Câmara dos Deputados registrou, ao longo de 2025, um montante de R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão sem a devida identificação dos parlamentares que sugeriram o destino das verbas.
De acordo com os dados técnicos da entidade, foram mapeadas 1.341 indicações anônimas de um universo de 12.231 registros oficiais realizados pelas comissões da Casa. O relatório aponta que o esquema envolveu diretamente lideranças de sete partidos políticos com forte atuação no Congresso:
- PP (Partido Progressistas)
- União Brasil
- PL (Partido Liberal)
- Republicanos
- Avante
- Podemos
- Solidariedade
O retorno da lógica do “Orçamento Secreto”
Especialistas e membros da Transparência Brasil alertam que o modelo adotado em 2025 repete, na prática, a mecânica do antigo e extinto “orçamento secreto” (as emendas de relator, conhecidas tecnicamente pela rubrica RP9), que havia sido considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido justamente à opacidade dos repasses.
”A ausência de autoria nas indicações dificulta o controle social e impede que os eleitores saibam quais deputados direcionaram as verbas públicas”, destacou a organização em nota oficial sobre o monitoramento fiscal.
A manobra de diluir a autoria dos pedidos dentro de colegiados e lideranças partidárias esvazia os mecanismos de fiscalização social, permitindo que repasses bilionários sejam carimbados para redutos eleitorais específicos sem que o verdadeiro padrinho político do recurso precise prestar contas à sociedade. A situação reacende o alerta em órgãos de controle e na sociedade civil sobre a necessidade de reformas urgentes nas regras de execução do orçamento federal.
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