Internacional

Trump autoriza projeto de sanções contra Rússia e mira aliados comerciais como o Brasil

​O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu o sinal verde para o avanço de um projeto de lei bipartidário que promete endurecer drasticamente as punições econômicas contra a Rússia. A medida, no entanto, carrega um componente de alta voltagem para a diplomacia brasileira: o texto prevê sanções secundárias e tarifas de até 500% para países que mantenham relações comerciais estratégicas com Moscou, colocando o Brasil diretamente no alvo de Washington.

​A decisão foi confirmada nesta semana pelo senador republicano Lindsey Graham, após uma reunião produtiva com Trump. Segundo Graham, o projeto visa asfixiar o financiamento da máquina de guerra russa, punindo nações que continuam comprando petróleo, fertilizantes e urânio da Rússia. “Este projeto dará ao presidente Trump uma alavancagem tremenda contra países como China, Índia e Brasil“, afirmou o senador em suas redes sociais.

​Os principais pontos da nova legislação

​O projeto de lei, elaborado por Graham em conjunto com o democrata Richard Blumenthal, deve ir a votação no Congresso americano já na próxima semana. Entre as medidas mais severas estão:

  • Super tarifas: Autorização para o governo dos EUA aplicar tarifas de até 500% sobre importações de produtos russos e de países que colaborem com a economia de Moscou.
  • Sanções Secundárias: Punições financeiras a empresas de terceiros países que facilitem transações com entidades russas sancionadas.
  • Foco na Energia e Agro: O texto mira especificamente o comércio de petróleo e derivados, além de minerais estratégicos.

​Impacto direto no Brasil

​Para o Brasil, a medida representa um desafio econômico e diplomático sem precedentes em 2026. A dependência brasileira de fertilizantes russos para o agronegócio e a crescente importação de diesel do país euro-asiático colocam o governo em uma saia justa.

​Consultorias de risco, como a Eurasia, apontam que o estilo “transacional” da política externa de Trump pode exigir que o Brasil escolha entre manter sua neutralidade comercial ou preservar o acesso ao mercado e ao sistema financeiro americano. O Itamaraty já intensificou as articulações em Washington para tentar negociar isenções, argumentando que sanções sobre fertilizantes poderiam causar uma inflação alimentar global, prejudicando os próprios interesses dos EUA.

​Reação do Kremlin e cenário global

​O governo de Vladimir Putin reagiu com ceticismo, afirmando que a economia russa desenvolveu “imunidade” a sanções ocidentais. Entretanto, o movimento de Trump ocorre em um momento de extrema tensão, logo após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças americanas e a apreensão de petroleiros russos em águas internacionais, o que sinaliza uma postura muito mais agressiva da Casa Branca em todo o Hemisfério Ocidental.

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