Ao completar o primeiro ano de seu segundo mandato nesta terça-feira (20), o presidente Donald Trump utilizou um balanço de governo para reafirmar sua nova postura em relação à Venezuela, marcada por uma guinada que mistura agressividade militar e pragmatismo econômico. Em declarações que repercutiram globalmente, Trump afirmou que sua percepção sobre o país vizinho mudou drasticamente: “Eu tinha esse sentimento muito duro e ruim em relação à Venezuela, e agora estou amando a Venezuela”.
A mudança de tom ocorre após um ano de eventos sísmicos na região. Em 3 de janeiro de 2026, forças dos EUA realizaram uma operação em larga escala que resultou na captura de Nicolás Maduro, acusado de liderar uma organização de narcotráfico. Desde então, Washington tem colaborado estreitamente com a presidente interina, Delcy Rodríguez — ex-vice de Maduro que, segundo Trump, tem sido “extremamente cooperativa” com as exigências americanas, especialmente no setor petrolífero.
O “Nobel” de María Corina Machado
Um dos momentos mais simbólicos do balanço foi o comentário de Trump sobre a líder opositora María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2025. Na última quinta-feira (15), os dois se encontraram no Salão Oval, onde Machado realizou um gesto sem precedentes: entregou sua medalha do Nobel ao presidente americano.
“É inacreditável como é uma mulher boa que está lá”, elogiou Trump. Ele relatou que a própria opositora teria dito: “Eu não mereço o Prêmio Nobel. Ele [Trump] merece”. O gesto, embora simbólico — já que o Instituto Nobel da Noruega prontamente esclareceu que o prêmio é intransferível e não pode ser revogado ou compartilhado —, serviu para Trump reforçar sua retórica contra organismos multilaterais. “As Nações Unidas não me ajudaram em nada”, disparou o republicano, sugerindo que merecia a honraria por “salvar milhões de pessoas” em conflitos que ele afirma ter pacificado ou encerrado.
Crises e Prisões
Trump também gerou polêmica ao citar a segurança pública e a imigração, temas centrais de sua gestão. “A Venezuela é um exemplo: abriu suas prisões para os EUA”, afirmou, referindo-se à sua teoria de que governos estrangeiros estariam enviando criminosos para solo americano — narrativa que serviu de base para suas políticas migratórias mais rígidas no último ano.
Geopolítica da Energia
Apesar dos elogios a María Corina, o governo Trump mantém uma postura pragmática. Enquanto a chama de “mulher extraordinária”, Washington mantém Delcy Rodríguez no poder interino para garantir o fluxo de petróleo. Trump indicou que petrolíferas americanas preparam “investimentos massivos” na Venezuela, país que ele destacou possuir reservas maiores que as da Arábia Saudita.
O balanço do primeiro ano de Trump 2.0 consolida a doutrina da “paz pela força”. Entre ataques aéreos na Síria e Iêmen e a intervenção direta em Caracas, o presidente encerrou seu discurso reafirmando que os EUA são hoje “o país mais forte do mundo”, enquanto sinaliza que a Venezuela, sob sua tutela, deixou de ser um inimigo para se tornar um “exemplo” de sua nova ordem regional.
TRUMP completa um ano de mandato exaltando intervenção na Venezuela e recebe “presente” do Nobel




