Após o aumento das tensões diplomáticas e a recente postura intervencionista dos Estados Unidos na Venezuela, analistas internacionais e especialistas em geopolítica acenderam o alerta para o próximo alvo do governo de Donald Trump: as eleições presidenciais brasileiras de 2026. Segundo o especialista Brian Winter, editor da Americas Quarterly, a administração Trump já demonstra um interesse claro em atuar como um “catalisador” para a mudança de regime no Brasil, buscando reverter a inelegibilidade de Jair Bolsonaro ou, no mínimo, pavimentar o caminho para um sucessor de sua linha ideológica.
A estratégia americana, que combina sanções econômicas e pressão institucional contra o Judiciário brasileiro, marca uma ruptura com a diplomacia tradicional e coloca o governo de Luiz Inácio Lula da Silva em uma rota de colisão direta com a Casa Branca.
A “Doutrina de Interferência” e o Caso Venezuela
A análise surge no contexto em que Trump endureceu drasticamente a retórica contra o governo de Nicolás Maduro, chegando a sugerir que os EUA poderiam “administrar” a crise venezuelana. Para especialistas, esse movimento serve como laboratório para a América Latina. No Brasil, o foco não é militar, mas institucional e digital.
“A potência estrangeira está sim se metendo na política doméstica brasileira com gosto. O propósito parece ser o de mudar o regime brasileiro ou dar condições para Bolsonaro participar da eleição”, afirmou Brian Winter em análise recente.
As Ferramentas de Influência: Sanções e Tarifas
Diferente de 2022, a influência americana para 2026 já se manifesta de forma prática:
- Ataque ao Judiciário: O Departamento de Estado dos EUA tem emitido alertas e discutido a suspensão de vistos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), sob a justificativa de combater a “censura” a plataformas digitais (como a rede X).
- O “Tarifaço”: A imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA foi lida por parte do mercado como uma medida punitiva que fragiliza a economia sob a gestão Lula, favorecendo discursos de oposição.
- Redes Sociais: O objetivo estratégico seria garantir que as plataformas digitais operem em 2026 sem as restrições impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), permitindo a livre circulação de narrativas da extrema-direita.
O Impacto no Cenário Eleitoral de 2026
Apesar do apoio explícito de Trump a Bolsonaro, o efeito no eleitorado brasileiro é incerto. Uma pesquisa recente do Instituto Ipespe indica um país profundamente dividido sobre essa “ajuda” externa:
| Perfil do Eleitor | Impacto do Apoio de Trump |
|—|—|
| Eleitores de Esquerda | 88% acreditam que o apoio de Trump prejudica o candidato brasileiro. |
| Eleitores de Centro | 69% veem a influência como negativa. |
| Eleitores de Direita | 66% acreditam que o apoio de Trump ajuda o candidato aliado. |
O fator Bolsonaro e a Inelegibilidade
O grande desafio da estratégia trumpista é a barreira jurídica. Embora Trump pressione por uma anistia ou revisão das decisões do STF, juristas reforçam que o presidente americano não tem jurisdição sobre as instituições brasileiras. Contudo, o apoio de Washington funciona como um “combustível moral” para a base bolsonarista, mantendo a polarização em níveis máximos até o pleito.
Enquanto o Itamaraty tenta equilibrar a neutralidade diplomática com a defesa da soberania, o governo Lula monitora de perto os movimentos de Washington, ciente de que a eleição de 2026 será jogada, também, no tabuleiro internacional.







