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Um grito emocional que poucos querem, ouvir: “Odeio Natal e Ano Novo”

Por Andréa Ladislau

Que nem todo mundo ama essa época de fim de ano, todos sabemos. Mas quando o Natal e o Ano Novo doem na alma, precisamos buscar entender o que pode estar por trás dessa lacuna emocional. O peso psíquico da chegada de um novo ano, traz consigo uma mescla de sentimentos que nos envolve.

Muitos se sentem animados, felizes e otimistas com a virada de calendário. Aproveitam e se jogam nas festas e confraternizações. Enquanto outros, não sentem ânimo e até repugnam a atmosfera de grandes festividades.

Natural que aquelas pessoas que tenham sofrido situações traumáticas ao longo do ano ou mesmo em épocas como essa, tenham maior dificuldade em encarar os últimos dias como o encerramento de um ciclo e enxergar a expectativa de um novo ano que gera a oportunidade de um recomeço com novas possibilidades e objetivos. Nem todos conseguem se desvencilhar de dores enraizadas e alimentam medos, frustrações e receios em relação a toda e qualquer mudança.

Solidão, isolamento de família e amigos por não se sentir à vontade para socializar, podem também ser justificativas para não se animar com o período das festas. Alguns repulsão por classificar a época como um período de alto consumo materialista, desmistificando o verdadeiro espírito natalino. Além disso, muitos sinalizam depressão, ansiedade e angústia neste mês de festas.

No entanto, sabemos que ninguém é obrigado a gostar ou sentir prazer com o Natal e Ano novo. Não existe uma rotulação de que, só é “Normal” aquele que acompanha os padrões sociais em “Amar” confraternizações. A grande questão é: quanto mais amadurecidos somos, mais entendemos que nossa existência se tornará mais equilibrada, quando agimos com maior flexibilidade frente aos dissabores da vida. É preciso paciência, resiliência para lidar com os incômodos em um mundo inóspito e repleto de aborrecimentos.

A virada de ano para muitos também é o momento de sonhos, porém, é preciso pesar aspectos positivos e negativos, reconhecendo as coisas boas que aconteceram, valorizando e sendo grato a cada ação realizada ou a cada feito conquistado. Sua dedicação e foco devem ser considerados e potencializados para estimular os aprendizados, sem lamentações.

Que possamos estar abertos para discordar de nós mesmos, modelar nossa visão de mundo de acordo com os fatos, e não os fatos de acordo com nossa visão de mundo, pois as nossas crenças, verdades e respostas absolutas não são o único caminho para se achar sentido na vida; outras possibilidades podem existir além do significado que nós mesmos damos.

E que juntamente com os fogos que brilham e anunciam a chegada de um novo ano, possamos estar com nossa mente e corações cheios de esperança, alegria, amor e perspectivas de sermos e fazermos o melhor sempre.

Porém, não caia na armadilha de se deixar levar pela ilusão de que temos a obrigação de estar sempre feliz. Essa configuração de compromisso de uma alegria plena, apenas cria frustração. O mais importante é encarar suas expectativas e fazer um balanço do que pode ser melhor planejado, para que a harmonia, leveza e autoconhecimento sejam seus aliados no próximo ano.

Enfim, seja como for sua forma de encarar o fechamento do ano, busque a resiliência como foco. Não se nasce forte, torna-se! Ame, chore, grite, sorria, festeje, reflita e se permita descobrir o verdadeiro significado da virada de ano. Embora o tempo seja sempre o mesmo, essa convenção se reveste de importância na medida em que nos sentimos emulados a uma renovação.

Dra. Andréa Ladislau / Psicanalista

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