UM MÊS após captura de Maduro pelos EUA, Venezuela vive transição sob comando de Delcy Rodríguez e pressão por reformas

Exatamente 31 dias após a operação militar norte-americana que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, a Venezuela atravessa um cenário de profunda incerteza política e econômica. Enquanto o ex-líder chavista aguarda julgamento em Nova York sob acusações de narcoterrorismo, o poder em Caracas é exercido de forma interina pela ex-vice-presidente Delcy Rodríguez, que tenta equilibrar a lealdade ao sistema chavista com a necessidade urgente de diálogo internacional.

​O novo xadrez do poder

​Após a queda de Maduro em 3 de janeiro de 2026, o Supremo Tribunal de Justiça (TSJ) agiu rapidamente para nomear Delcy Rodríguez como presidente interina por um período inicial de 90 dias. Diferente do isolamento total vivido nos anos anteriores, o novo governo iniciou movimentos pragmáticos:

  • Aproximação com os EUA: Recentemente, Delcy reuniu-se com a enviada especial norte-americana, Laura Dogu, para discutir uma “agenda comum”.
  • Abertura Econômica: O governo aprovou uma reforma na Lei de Hidrocarbonetos, sinalizando a abertura total do setor petrolífero para investimentos estrangeiros, uma tentativa de salvar a economia colapsada.
  • Anistia e Presos Políticos: Sob pressão de Washington, Caracas começou a soltura de centenas de presos políticos, embora ONGs apontem que mais de 600 pessoas ainda permanecem detidas por motivos ideológicos.

​A oposição e o papel de María Corina Machado

​A líder opositora María Corina Machado declarou nesta semana estar disposta a se reunir com a presidente interina para definir um cronograma de transição democrática real. Apesar da saída física de Maduro, analistas e opositores como Miguel Henrique Otero, diretor do jornal El Nacional, alertam que o “sistema de repressão” permanece intacto e que a liberdade de imprensa ainda é uma miragem no país.

​Reações internacionais

​A captura dividiu a comunidade global. Países como Argentina e EUA celebraram o fim do que chamam de “narcoditadura”. Por outro lado, China, Rússia e Coreia do Norte condenaram a ação militar unilateral, classificando-a como uma violação direta do Direito Internacional e da soberania venezuelana. O governo brasileiro tem mantido uma postura cautelosa, focando na estabilidade das fronteiras e na ajuda humanitária.

​”A retirada de Maduro foi simbólica. Mas, enquanto o sistema de repressão continuar funcionando, a Venezuela seguirá sem democracia”, afirmou Otero à CNN Brasil.

​O que vem a seguir?

​O futuro imediato da Venezuela depende de três fatores críticos:

  1. O julgamento em Nova York: A próxima audiência de Maduro está marcada para 17 de março. Ele se declara um “prisioneiro de guerra”.
  2. O cronograma eleitoral: A oposição exige eleições livres ainda em 2026, algo que o grupo de Delcy Rodríguez ainda não confirmou.
  3. A economia: A recuperação da produção de petróleo através de novas parcerias será o termômetro da sobrevivência do governo interino.

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