Com a chegada das férias de verão e o aumento das temperaturas, as famílias brasileiras ocupam cada vez mais parques, praças e áreas livres. No entanto, o período exige atenção redobrada de tutores de animais e frequentadores desses espaços. O aumento das horas de luz natural nesta estação estimula o ciclo reprodutivo dos felinos, resultando em uma maior circulação de gatos pelas ruas em busca de parceiros. Esse comportamento, embora natural, tem impulsionado a propagação da esporotricose, uma micose profunda causada por fungos do gênero Sporothrix spp.
O avanço da “doença do jardineiro” entre os felinos
A esporotricose, historicamente conhecida como “doença do jardineiro” por estar presente na terra e em vegetais, encontrou nos gatos um hospedeiro e vetor importante em áreas urbanas. O fungo penetra na pele através de arranhaduras, mordeduras ou contato direto com as feridas de animais infectados.
As lesões características são feridas profundas na pele que não cicatrizam e podem evoluir para nódulos e ulcerações graves. Como os gatos têm o hábito de enterrar dejetos e afiar unhas em troncos, o ambiente externo torna-se um reservatório contínuo para o fungo, criando um ciclo de contaminação difícil de romper sem intervenção médica.
Últimas atualizações: O cenário em 2025 e 2026
Dados recentes de secretarias de saúde em grandes capitais brasileiras indicam que a esporotricose deixou de ser uma doença regional para se tornar uma emergência de saúde pública em diversas regiões:
- Resistência a Medicamentos: Pesquisas recentes apontam para o surgimento de linhagens de Sporothrix brasiliensis (a variante mais agressiva) que apresentam maior resistência aos tratamentos convencionais com itraconazol, exigindo protocolos veterinários mais longos e custosos.
- Expansão Geográfica: O fungo, que antes se concentrava no Sudeste, agora registra picos de casos no Nordeste e Sul do país, acompanhando o fluxo migratório e o abandono de animais.
- Zoonose de Alerta: Especialistas reforçam que a doença é uma zoonose — pode ser transmitida de animais para humanos. Em humanos, a infecção geralmente se manifesta por feridas nos braços e mãos, mas em pessoas imunossuprimidas, pode atingir órgãos internos.
Como prevenir e agir
O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) e órgãos de vigilância sanitária recomendam medidas rigorosas para conter o surto durante o verão:
- Castração: É a medida mais eficaz para reduzir as saídas dos gatos e as brigas por território/acasalamento.
- Telas de Proteção: Manter os felinos dentro de casa impede o contato com animais de rua infectados.
- Higiene: Ao manipular gatos desconhecidos ou com feridas, o uso de luvas é indispensável.
- Tratamento e Não Abandono: A esporotricose tem cura. O abandono de animais doentes é crime e agrava a crise de saúde pública, pois o cadáver do animal morto pelo fungo também contamina o solo se não for cremado.
Nota de alerta: Caso note feridas que não cicatrizam no seu pet, procure imediatamente um médico veterinário. O diagnóstico precoce é a chave para evitar a transmissão para a família e garantir a recuperação do animal.




