Vírus Nipah acende alerta global e infectologistas avaliam riscos de chegada ao Brasil

A recente detecção de surtos de vírus Nipah (NiV) em regiões da Ásia, somada à alta taxa de letalidade da doença, voltou a colocar órgãos de saúde em vigilância. Embora o Brasil esteja geograficamente distante dos focos principais, a conectividade global e as características do vírus levantam questionamentos sobre a possibilidade de uma nova emergência sanitária em solo nacional.

​O que é o vírus Nipah e como ele se espalha?

​O Nipah é um vírus zoonótico, ou seja, transmitido de animais para humanos. Seus hospedeiros naturais são morcegos frugívoros (do gênero Pteropus), conhecidos como “raposas voadoras”.

  • Transmissão animal-homem: Ocorre pelo consumo de alimentos (como suco de tâmara ou frutas) contaminados por saliva ou urina de morcegos infectados.
  • Transmissão homem-homem: Contato próximo com secreções e excreções de pacientes infectados, o que aumenta o risco em ambientes hospitalares.
  • Hospedeiros intermediários: O vírus também pode infectar porcos, que atuam como amplificadores da doença antes de chegar aos humanos.

​Sintomas e gravidade

​O quadro clínico varia de infecções assintomáticas a síndromes respiratórias agudas e encefalite fatal (inflamação do cérebro).

​”O grande perigo do Nipah é sua taxa de letalidade, que varia entre 40% e 75%, dependendo do surto e da capacidade de resposta local”, explicam especialistas em infectologia.

​Os principais sintomas incluem:

  1. ​Febre e dores musculares.
  2. ​Dor de cabeça e tontura.
  3. ​Desorientação e confusão mental (sinais de encefalite).
  4. ​Problemas respiratórios agudos.

​O vírus Nipah pode chegar ao Brasil?

​Até o momento, não há registros do vírus Nipah no Brasil. No entanto, a possibilidade teórica existe devido ao fluxo internacional de pessoas.

​A boa notícia é que o tipo de morcego que carrega o vírus originalmente não é nativo das Américas. Contudo, as autoridades brasileiras de vigilância sanitária e o Ministério da Saúde mantêm protocolos de monitoramento para patógenos com potencial pandêmico.

Fatores de mitigação no Brasil:

  • ​Ausência do hospedeiro natural (Pteropus).
  • ​Sistemas de vigilância epidemiológica robustos.
  • ​Controle sanitário em portos e aeroportos.

​Existe tratamento ou vacina?

​Atualmente, não existe vacina ou tratamento específico para o Nipah, tanto para humanos quanto para animais. O cuidado médico é focado no suporte aos sintomas e no manejo de complicações neurológicas e respiratórias graves. A Organização Mundial da Saúde (OMS) lista o Nipah como uma prioridade de pesquisa devido ao seu potencial epidêmico.

Prevenção: A recomendação internacional para quem viaja a áreas de risco (como Índia, Bangladesh e Sudeste Asiático) é evitar o consumo de frutas que apresentem sinais de mordeduras de animais e manter distância de criações de porcos e áreas habitadas por morcegos.

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