A Polícia Federal (PF) revelou detalhes alarmantes extraídos de dispositivos móveis do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), preso na manhã desta terça-feira, 5 de maio de 2026. As investigações, que fazem parte da 4ª fase da Operação Unha e Carne, apontam que o parlamentar e seus aliados utilizavam mensagens de texto para arquitetar planos de intimidação e ataques violentos contra adversários políticos e críticos em redes sociais.
Planos de ataques e intimidação
De acordo com os relatórios da PF submetidos ao Supremo Tribunal Federal (STF), as conversas interceptadas mostram um nível elevado de agressividade. Em um dos diálogos registrados, um aliado sugere a Rangel ações diretas contra um desafeto:
“O moleque vai bater na cara dele, vai dar tiro no carro dele […] e aí ele vai ter que pedir para sair.”
Em resposta, o deputado teria concordado com a estratégia, afirmando: “Beleza, vamos arquitetar, orquestrar tudo. Porque esse cara aí tá impossível de suportar”. Outras mensagens mencionam “dar 12 tiros no portão” para dar um recado e até frases como “arrancar a cabeça” de opositores.
Esquema de corrupção e lavagem de dinheiro
A prisão de Thiago Rangel, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, não se limita às ameaças. A Operação Unha e Carne investiga uma organização criminosa suspeita de:
- Fraudes em licitações: Direcionamento de contratos na Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc).
- Peculato e Corrupção: Desvio de recursos públicos através de empresas ligadas ao grupo.
- Lavagem de dinheiro: Uso de uma rede de postos de combustíveis para ocultar a origem ilícita dos valores.
Durante a ação de hoje, a PF também apreendeu bens de luxo, incluindo um veículo Porsche pertencente ao parlamentar.Desdobramentos e defesa
A operação é um desdobramento de fases anteriores que já haviam levado à prisão de outros nomes influentes da política fluminense, como o ex-deputado Rodrigo Bacellar. A PF acredita que o grupo utilizava a estrutura parlamentar para manter o controle sobre contratos públicos e silenciar críticos por meio da força.
Em nota, a defesa de Thiago Rangel afirmou que ainda está tomando conhecimento do teor integral das investigações e que qualquer conclusão antecipada é indevida. Os advogados reiteraram confiança no devido processo legal e informaram que prestarão todos os esclarecimentos necessários à Justiça.
Até o momento, o deputado permanece sob custódia, e as investigações seguem para identificar outros possíveis envolvidos no esquema de corrupção e nas ameaças de violência.




