As autoridades de saúde da Argentina e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estão em alerta máximo após a confirmação de um surto de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius. A embarcação, que partiu de Ushuaia no dia 1º de abril com destino à Antártida, tornou-se o centro de uma investigação internacional após registrar mortes e infecções graves entre passageiros e tripulantes.
O caso ganhou contornos dramáticos nesta semana, com o navio ancorado preventivamente na costa de Cabo Verde. Até o momento, a OMS confirmou:
- Três mortes registradas (uma passageira alemã e dois outros indivíduos).
- Um paciente em estado crítico, um britânico de 69 anos, internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na África do Sul.
- Sete casos no total, entre confirmados em laboratório e suspeitos com sintomas graves.
A conexão argentina e o impacto ambiental
O foco central das investigações é determinar se a infecção ocorreu em solo argentino antes do embarque. A Argentina tem registrado um aumento atípico da doença: o Ministério da Saúde do país reportou 101 casos desde junho de 2025, quase o dobro do registrado no período anterior.
Especialistas como o infectologista Hugo Pizzi apontam que as mudanças climáticas estão “tropicalizando” regiões antes mais frias da Argentina, favorecendo a proliferação de roedores silvestres, principais transmissores do vírus através de fezes, urina e saliva. Embora a prefeitura de Ushuaia considere “improvável” o contágio local por falta de histórico na região, a rota dos passageiros por outras províncias como Salta, Buenos Aires e Chubut — onde há circulação ativa — está sendo minuciosamente reconstruída.
Resposta internacional e riscos
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou que a agência está facilitando a evacuação médica de passageiros sintomáticos para os Países Baixos. Apesar da gravidade clínica do surto, a OMS mantém que o risco para a população global é baixo, uma vez que a transmissão entre humanos é considerada rara e a maioria das infecções ocorre por inalação de aerossóis em locais fechados com presença de roedores.
O que é o Hantavírus?
É uma doença viral aguda que pode evoluir para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), com taxa de letalidade próxima de 38%. Os sintomas iniciais incluem febre alta, dores musculares e problemas gastrointestinais, progredindo rapidamente para insuficiência respiratória grave.O navio MV Hondius deve seguir agora para as Ilhas Canárias após a conclusão das evacuações, enquanto especialistas buscam entender se houve falha nos protocolos de higiene ou se o “paciente zero” já embarcou incubando a doença.




