A Organização Mundial da Saúde (OMS) e autoridades de diversos países estão em alerta máximo após a confirmação de um surto de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius. A embarcação, operada pela Oceanwide Expeditions, partiu de Ushuaia, na Argentina, no início de abril, e tornou-se o centro de uma crise sanitária internacional que já resultou em três mortes.
Até o momento, as vítimas fatais incluem um casal de holandeses e um cidadão alemão. Além dos óbitos, há pelo menos cinco casos confirmados e outros suspeitos sendo monitorados. Entre os infectados em estado grave, destaca-se um britânico de 69 anos, que foi evacuado para uma unidade de terapia intensiva na África do Sul.
Isolamento e repatriação
O navio permaneceu fundeado preventivamente na costa de Cabo Verde com cerca de 147 pessoas a bordo, de 23 nacionalidades diferentes. Recentemente, o Ministério da Saúde da Espanha autorizou que a embarcação siga para as Ilhas Canárias.
- Quarentena: Passageiros espanhóis e de outras nacionalidades europeias serão repatriados sob protocolos rígidos. Em Madri, o Hospital Gómez Ulla já prepara alas de isolamento.
- Monitoramento: Devido ao longo período de incubação do vírus — que pode chegar a 45 dias — o rastreamento de contatos está sendo realizado em escala global para passageiros que desembarcaram em escalas anteriores, como nas ilhas de Santa Helena e Ascensão.
O risco de pandemia é real?
Especialistas e porta-vozes da OMS, como a epidemiologista Maria van Kerkhove, foram enfáticos ao acalmar a população mundial: “Isto não é o início de uma nova pandemia de Covid-19”.
Embora o hantavírus seja extremamente letal (com taxas de mortalidade que podem atingir 40%), ele é historicamente pouco contagioso entre humanos. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com excrementos de roedores infectados. No entanto, o caso do MV Hondius preocupa porque a cepa identificada é a Andes, uma das poucas que permite a transmissão inter-humana limitada.
Sintomas e cuidados
A doença começa com febre, dores musculares e problemas gastrointestinais, podendo evoluir rapidamente para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), que causa acúmulo de líquido nos pulmões e choque.
Nota importante: Não existe tratamento específico ou vacina para o hantavírus. O manejo clínico precoce em hospitais é a única forma de aumentar as chances de sobrevivência.
As autoridades argentinas investigam a origem da infecção, embora considerem improvável que o contágio tenha ocorrido em Ushuaia, dado que não há registros recentes do vírus na região. A suspeita é que o patógeno tenha sido introduzido no navio por suprimentos ou passageiros que tiveram contato com roedores antes do embarque.




