BRASÍLIA – Um grupo de senadores formalizou, nesta semana, um pedido de suspeição contra o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando que ele deixe a relatoria da ação que trata da instalação da CPI do Banco Master. O movimento é liderado pelos senadores Alessandro Vieira (MDB-SE), Eduardo Girão (Novo-CE) e Plínio Valério (PSDB-AM), que alegam a existência de uma “relação íntima” e conflito de interesses entre o magistrado e o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
O cerne do impasse jurídico reside no fato de que Ciro Nogueira, expoente do Progressistas e um dos principais articuladores da indicação de Nunes Marques ao STF em 2020, tornou-se alvo central das investigações que a CPI pretende aprofundar. Recentemente, a Polícia Federal deflagrou a 5ª fase da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes financeiras e crimes de corrupção envolvendo a gestão do Banco Master. Segundo as investigações, o senador teria atuado em favor do banqueiro Daniel Vorcaro em troca de vantagens econômicas indevidas.
O impasse no Supremo
Os parlamentares argumentam que a imparcialidade de Nunes Marques está comprometida devido ao histórico de proximidade com Nogueira, seu conterrâneo e padrinho político. O ministro é o relator de um mandado de segurança impetrado pela oposição para forçar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a instalar o colegiado.
Embora o pedido de CPI conte com 53 assinaturas — muito acima das 27 exigidas pela Constituição —, a leitura do requerimento tem sido sucessivamente adiada. Nos bastidores do STF, interlocutores indicam que a tendência de Nunes Marques seria rejeitar o pedido de abertura da CPI, pautando-se no princípio da “autocontenção” do Judiciário sobre questões interna corporis do Congresso. Tal sinalização aumentou a pressão dos senadores pela redistribuição do caso.
Entenda o Caso Master
A crise em torno da instituição financeira escalou em novembro passado, quando o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de suas subsidiárias, citando indícios graves de irregularidades e crise de liquidez. A Polícia Federal aponta que a instituição operava com Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) que ofereciam rentabilidades irreais, funcionando em um esquema que agora é alvo de escrutínio legislativo e judicial.
O banqueiro Daniel Vorcaro chegou a ser preso preventivamente em março de 2026 sob risco de fuga, sendo posteriormente colocado em regime de monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Reações políticas
Enquanto o governo e o Centrão adotam uma postura de cautela, senadores de oposição afirmam que o STF vive um “momento crítico” de credibilidade. “Não se trata apenas de uma amizade, mas de um arranjo funcional que pode impedir que a verdade sobre o Banco Master venha à tona”, afirmou o senador Alessandro Vieira em manifestação recente.
Até o fechamento desta edição, o ministro Nunes Marques não havia se manifestado oficialmente sobre o pedido de suspeição. Caso aceite o pedido, o processo deverá ser redistribuído a outro ministro da Corte por sorteio. Se negar, o pleito dos senadores poderá ser levado ao plenário do STF.




