A relação entre o partido Novo e o Partido Liberal (PL) atravessa uma crise sem precedentes nesta semana, após declarações polêmicas do governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Em um movimento que gerou desconforto em diretórios estaduais, Zema classificou como um “tapa na cara dos brasileiros” os áudios vazados do senador Flávio Bolsonaro (PL) envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. A fala abriu um racha interno no Novo e colocou em risco acordos estratégicos para as eleições de 2026.
No Paraná, a reação foi imediata e de distanciamento das palavras do governador mineiro. O diretório estadual do Novo emitiu uma nota afirmando que Zema se “precipitou” ao personalizar a crítica. Para as lideranças paranaenses, o foco deveria ser a investigação institucional sobre o Banco Master e a instalação de uma CPMI, e não um ataque direto ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que é o principal articulador do PL nacional.
A força da aliança no Paraná
Diferente do cenário nacional, onde o Novo busca consolidar Zema como uma alternativa própria à presidência, o Novo do Paraná está profundamente atrelado ao projeto do PL. A sigla reafirmou que a aliança no estado permanece sólida. O principal ponto de convergência é o apoio à pré-candidatura de Sérgio Moro (PL) ao Governo do Paraná em 2026.
O Novo paranaense já havia feito um movimento simbólico ao deixar a base de apoio do governador Ratinho Júnior (PSD) para se alinhar ao grupo de Moro e Flávio Bolsonaro. Por isso, a cúpula estadual teme que o “incêndio” provocado por Zema destrua meses de negociações regionais.
Reações no PL e o risco de ruptura
Dentro do PL, a ala mais próxima da família Bolsonaro reagiu com indignação. Parlamentares como a deputada Júlia Zanatta e o próprio Eduardo Bolsonaro classificaram a postura de Zema como “oportunista” e “vil”. Há uma pressão crescente sobre o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para que a legenda rompa todas as alianças com o Novo nos estados como retaliação.
O que dizem os envolvidos:
- Romeu Zema (Novo): Mantém a postura crítica, argumentando que o partido não pode ser “linha auxiliar” e deve manter o rigor ético, independentemente do aliado.
- Novo Paraná: Defende que o diálogo e a convergência de princípios com o PL devem prevalecer sobre episódios isolados.
- Flávio Bolsonaro (PL): Segue como peça-chave no tabuleiro de 2026, sendo o principal defensor da candidatura de Moro no Paraná, projeto que o Novo local não pretende abandonar.
O desdobramento desta crise definirá se o Novo conseguirá equilibrar a independência pregada por Zema com as necessidades pragmáticas de palanques regionais onde o PL é o protagonista. No Paraná, por ora, a ordem é abafar o caso e garantir que o acordo com o “partido do 22” não sofra danos colaterais.




