Eduardo Bolsonaro e Mário Frias assinaram contrato como produtores executivos de filme sobre Jair Bolsonaro, revela documento


Documentos e mensagens obtidos pelo site Intercept Brasil apontam que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o deputado federal Mário Frias (PL-SP) exerceram contratualmente a função de produtores executivos no filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a reportagem, os papéis assinados dariam aos parlamentares amplos poderes de decisão, incluindo a gestão financeira e orçamentária do projeto de padrão internacional.
A revelação traz novos elementos ao caso que está sob a mira das autoridades. O Ministério Público acompanha as movimentações contratuais e a Polícia Federal investiga se repasses milionários articulados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto ao empresário Daniel Vorcaro foram integralmente destinados à produção cinematográfica ou se teriam abastecido despesas pessoais de Eduardo nos Estados Unidos, onde ele reside. Estima-se que as negociações em torno do longa possam alcançar cifras expressivas, com aportes que já totalizariam dezenas de milhões de reais.

Versões mudam e aliados rebatem suspeitas

Após a repercussão da reportagem, os envolvidos vieram a público para dar explicações e rebater as suspeitas de irregularidades financeiras.

  • Contrato antigo e sem efeito: O senador Flávio Bolsonaro declarou à imprensa que o documento divulgado pelo Intercept Brasil é antigo e “deixou de existir” assim que a estrutura formal da produtora GoUp Entertainment foi estabelecida nos Estados Unidos. O senador negou que seu irmão tenha gerido o orçamento e assegurou que Eduardo, na verdade, investiu recursos próprios no projeto para viabilizar a contratação de um diretor padrão Hollywood.
  • Aporte próprio: Em um posicionamento recente, Eduardo Bolsonaro declarou ter aplicado US$ 50 mil do próprio bolso na produção. Ele rechaçou firmemente a tese de que teria recebido vantagens financeiras do fundo de investimentos gerenciado por seu advogado, Paulo Calixto.
  • Status migratório: Eduardo argumentou que as alegações de recebimento ilegal de fundos são infundadas, destacando que seu status de residência nos EUA impossibilitaria qualquer transação dessa natureza sem que fosse imediatamente detectado e punido pelas autoridades americanas. Ele reforçou que sua atuação inicial focou na cessão dos direitos de imagem e na articulação institucional.
    Mário Frias e as defesas dos demais citados também têm sustentado que todos os valores arrecadados foram aplicados de forma estrita no desenvolvimento do filme. Eles apontam que a opção de sediar e captar recursos para a obra no exterior decorreu do receio de investidores sofrerem “perseguição política” caso financiassem o projeto em território brasileiro. As investigações sobre os contratos e o fluxo de capital da produção continuam em andamento.

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