Panini, iFood e empresas de reciclagem se unem para transformar resíduos do álbum da Copa do Mundo 2026 em papel toalha e papel cartão


O fervor pela Copa do Mundo de 2026 já começou para milhões de brasileiros, mas desta vez o campeonato traz um desafio ambiental que vai muito além das quatro linhas. Desde o lançamento oficial dos álbuns da Panini, o volume de vendas disparou: apenas na primeira semana, a plataforma iFood comercializou mais de 563 mil pacotes de figurinhas e 7 mil álbuns. Por trás de toda essa euforia, contudo, há uma preocupação ecológica silenciosa: cada pacote aberto gera resíduos de difícil reciclagem que costumam superlotar os aterros sanitários.
O grande vilão desse processo não é necessariamente o pacotinho aluminizado, mas sim o “liner” — o papel siliconado que serve de base para o adesivo e que é descartado logo após a figurinha ser colada. Por ser extremamente leve e receber uma camada de silicone, o liner exige um tratamento tecnológico especializado para que as fibras de celulose sejam separadas e reaproveitadas. Sem uma destinação correta, toneladas desse material acabam inutilizadas.
Para reverter esse cenário na maior Copa da história, iniciativas de economia circular e grandes indústrias do setor de papel e embalagens estão se mobilizando. O objetivo é recolher esses “restos” de coleções através de postos de coleta específicos e integrá-los de volta à cadeia produtiva. Com o tratamento químico e físico adequado, o liner deixa de ser lixo e passa a ser matéria-prima de alto valor, transformando-se em produtos do dia a dia, como papel toalha, guardanapos e papel cartão.
O reaproveitamento da celulose desses resíduos reduz diretamente a necessidade de corte de novas árvores e diminui a pegada de carbono do torneio. O sucesso da ação agora depende do engajamento dos próprios colecionadores, que estão sendo incentivados a separar os versos das figurinhas e depositá-los em pontos de coleta espalhados por escolas, condomínios e comércios. O Brasil tenta, assim, conquistar o título de campeão também na sustentabilidade.

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