O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom nesta sexta-feira (29) contra a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em declaração contundente, o mandatário brasileiro afirmou que o país não aceitará interferências externas na condução de sua segurança interna.
”Não aceitamos ser tratados como moleques”, disparou o presidente. “O Brasil é uma nação soberana e não vai aceitar ser tratado como se fosse uma republiqueta.”
O cerne da divergência diplomática
Embora o presidente brasileiro tenha reconhecido a gravidade e o impacto destrutivo das duas organizações em território nacional, ele fez uma clara distinção entre a realidade enfrentada pela população brasileira e a narrativa geopolítica adotada por Washington.
- Impacto local: Lula pontuou que o PCC e o CV de fato “são terroristas para as comunidades brasileiras”, devido à violência e ao domínio territorial que exercem.
- Divergência de narrativa: O presidente ponderou, contudo, que as facções “não são os terroristas que o Trump quer”, sinalizando que a designação norte-americana possui motivações e critérios políticos que fogem ao escopo do combate tradicional ao crime organizado.
Contexto e articulação política
A medida de Washington foi formalizada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. O anúncio ocorre em um momento de intensa movimentação de bastidores e forte polarização na política externa.
De acordo com informações de bastidores, a chancela norte-americana ganhou força após agendas estratégicas nos Estados Unidos. O senador brasileiro Flávio Bolsonaro esteve recentemente em Washington e na Flórida, onde levantou formalmente essa pauta em encontros bilaterais com o secretário Rubio e com o ex-presidente Donald Trump.
A oposição brasileira vinha defendendo a classificação internacional das facções como forma de asfixiar financeiramente os grupos no exterior, enquanto o Palácio do Planalto enxerga a medida como uma ingerência que pode abrir precedentes para sanções ou monitoramentos unilaterais sobre as finanças e a soberania do Brasil.
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e o Ministério da Justiça ainda avaliam os desdobramentos práticos da designação de Washington sobre a cooperação policial e jurídica entre os dois países.





