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UNESCO adverte que IA pode reduzir receitas da música em 24% até 2028

UNESCO adverte que IA pode reduzir receitas da música em 24% até 2028

PARIS – Um novo relatório global da Unesco, intitulado “Re|thinking Policies for Creativity”, acendeu um alerta vermelho para o futuro da cultura. O documento, divulgado nesta segunda-feira (23), aponta que o avanço desregulado da Inteligência Artificial (IA) generativa pode causar uma perda de até 24% nas receitas da indústria musical nos próximos dois anos. O impacto não se restringe apenas aos ganhos diretos de artistas, mas ameaça a própria sustentabilidade do financiamento público e a diversidade cultural em escala global.

​O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, enfatizou que a tecnologia está redefinindo as indústrias criativas de forma tão acelerada que as políticas de governança não conseguem acompanhar. “É urgente renovar e fortalecer o apoio àqueles que estão engajados na criação artística em um contexto onde a IA está redesenhando o modelo econômico do setor”, destacou durante a apresentação dos dados coletados em mais de 120 países.

O abismo digital e a pirataria algorítmica

​O estudo revela que a substituição de fontes tradicionais de receita por conteúdos gerados por máquinas e o uso não autorizado de obras para o treinamento de modelos de IA são os principais vilões. Estima-se que, sem uma regulamentação que garanta a remuneração justa, o prejuízo acumulado para músicos e criativos do audiovisual possa chegar a bilhões de dólares até 2028.

​Além das perdas financeiras, a Unesco destaca um “abismo digital” crescente: enquanto 67% da população em países desenvolvidos possui habilidades para lidar com ferramentas digitais, esse índice despenca para 28% em países em desenvolvimento. Isso coloca artistas de regiões como o Sul Global em uma posição de vulnerabilidade ainda maior diante da competição algorítmica.

Brasil se mobiliza por direitos autorais

​No cenário nacional, a reação já começou. Na última semana, as principais entidades brasileiras representantes dos setores de mídia, música e direitos autorais — incluindo o Ecad e associações de compositores — divulgaram um manifesto conjunto. O grupo exige que as empresas de tecnologia respeitem a Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/98) e solicita diálogo para garantir que o treinamento de IAs com obras protegidas dependa de autorização prévia e pagamento de royalties.

​No Congresso Nacional, o debate ganha força com o Projeto de Lei 2.338/23, que busca estabelecer um marco legal para a IA no Brasil. Decisões judiciais recentes, como liminares que permitem a cobrança de direitos autorais sobre músicas criadas com auxílio de IA, já começam a criar precedentes importantes para proteger o “intelecto humano” contra a massificação de conteúdos genéricos.

Futuro em jogo

​O relatório da Unesco conclui que o financiamento público direto para a cultura permanece criticamente baixo, situando-se abaixo de 0,6% do PIB global. Com a IA capturando uma fatia cada vez maior do mercado de streaming e das bibliotecas musicais, a sobrevivência de novos talentos dependerá de uma coalizão entre governos e a indústria para assegurar que a tecnologia seja uma aliada da criatividade, e não sua substituta econômica.

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