Ex-dono da Reag propõe delação premiada à PGR e promete detalhar esquema com Daniel Vorcaro,

BRASÍLIA — Em um novo desdobramento das investigações sobre irregularidades no sistema financeiro, o fundador e ex-CEO do grupo Reag Investimentos, João Carlos Mansur, apresentou uma proposta formal de colaboração premiada à Procuradoria-Geral da República (PGR). O empresário promete entregar detalhes de esquemas articulados em conjunto com Daniel Vorcaro, banqueiro e controlador do Banco Master.

De acordo com interlocutores que acompanham o caso, o objetivo da delação é expor a engenharia financeira utilizada pelas instituições para ocultar rombos operacionais, maquiar balanços e viabilizar o desvio de recursos.

Consistência das alegações

Fontes na Procuradoria-Geral da República apontam sob reserva que a proposta apresentada por João Carlos Mansur possui um nível de consistência superior ao da tentativa de acordo feita anteriormente pelo próprio Daniel Vorcaro, que acabou recusada pelo Ministério Público Federal. Por conta da robustez dos documentos e depoimentos prévios entregues por Mansur, procuradores avaliam que o acordo tem altas chances de avançar.

Caso a PGR aceite e assine os termos da delação premiada, a homologação final dependerá do Supremo Tribunal Federal (STF). A relatoria das investigações ligadas ao Banco Master está sob o comando do ministro André Mendonça.

Alvo do Banco Central e da Polícia Federal

A Reag Investimentos, que operava como gestora e administradora de fundos, passa por uma crise severa desde que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central.

Além do envolvimento nas apurações sobre a maquiagem contábil e movimentações suspeitas junto ao Banco Master, a Reag entrou no radar da Polícia Federal no âmbito da Operação Carbono Oculto. As investigações da PF apuram se a gestora foi utilizada para lavar até R$ 1 bilhão em recursos oriundos do crime organizado, com ramificações ligadas à facção Primeiro Comando da Capital (PCC).

A expectativa no meio jurídico e financeiro é de que o eventual aceite da delação de Mansur traga novos alvos à tona e aprofunde o escrutínio sobre as operações cruzadas entre fundos de investimento e instituições bancárias.


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