Anvisa, OMS e gigantes farmacêuticas travam embate entre a ciência das canetas e o mito dos chás emagrecedores
O mercado brasileiro de emagrecimento vive um divisor de águas em 2026. Enquanto o Conselho Federal de Farmácia relata um salto de 88% no uso de canetas emagrecedoras no último ano, a Anvisa endurece a fiscalização contra substâncias clandestinas e o marketing agressivo de chás que prometem “milagres” sem comprovação científica. O cenário atual separa o joio do trigo: de um lado, medicamentos de alta tecnologia validados por órgãos globais; do outro, estratégias paliativas que podem esconder riscos graves.
A revolução das canetas: Ozempic, Mounjaro e a chegada dos comprimidos
A grande novidade deste ano é o início da democratização dos análogos de GLP-1. Com a expiração de patentes da semaglutida (princípio ativo do Ozempic e Wegovy) prevista para os próximos meses, o mercado brasileiro projeta uma queda de até 50% nos preços até o fim de 2026, facilitando o acesso para a classe média.
- Poder de fogo: Novas dosagens de Wegovy (7,2 mg), recentemente aprovadas na Europa e em análise no Brasil, prometem uma redução de peso superior a 21%.
- Praticidade: As farmacêuticas Novo Nordisk e Eli Lilly preparam o lançamento das versões em comprimido de seus principais medicamentos, eliminando a barreira das picadas semanais.
- Reconhecimento: A OMS incluiu oficialmente as canetas emagrecedoras em suas diretrizes globais para o tratamento da obesidade, tratando-a como uma doença crônica e não apenas uma questão estética.
O perigo mora ao lado: Chás “detox” e substâncias irregulares
Apesar do avanço científico, o “atalho” dos chás emagrecedores continua seduzindo milhares de brasileiros. Médicos alertam que, diferentemente das canetas — que atuam no centro da saciedade no cérebro —, a maioria dos chás comercializados possui apenas efeito diurético ou laxativo.
”A perda de peso imediata com chás geralmente é perda de água e eletrólitos, não de gordura. O risco real é a sobrecarga hepática e a desidratação”, alerta o novo boletim de farmacovigilância da Anvisa.
Em janeiro de 2026, a Anvisa emitiu um alerta específico sobre a pancreatite aguda associada ao uso de medicamentos sem registro e fórmulas “naturais” batizadas com substâncias não declaradas. Além disso, a agência proibiu a comercialização da Retatrutida fora de estudos clínicos, após detectar vendas ilegais em redes sociais.
O veredito médico
A ciência de 2026 é clara: não existe “pílula mágica”, mas existem ferramentas potentes. A tendência atual, defendida pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), é o uso de medicamentos como apoio para uma mudança comportamental profunda. Sem o acompanhamento médico, o uso de “canetas” ou “chás” pode resultar apenas no temido efeito rebote ou em complicações de saúde que superam os benefícios estéticos.
































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