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Ratinho Jr. e Lar Cooperativa: incentivos milionários e contrato com o pai do governador geram polêmica

Ratinho Jr. e Lar Cooperativa: incentivos milionários e contrato com o pai do governador geram polêmica

A Lar Cooperativa Agroindustrial, uma das gigantes do agronegócio paranaense, encontra-se no centro de um debate que mistura benefícios fiscais vultosos e marketing familiar. Em setembro de 2025, a cooperativa anunciou o apresentador Carlos Massa, o Ratinho — pai do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD) —, como seu novo “embaixador nacional da marca”. O anúncio ocorreu em rede nacional, durante o Programa do Ratinho no SBT, com a presença do diretor-presidente da Lar, Irineo da Costa Rodrigues.

​O que seria apenas uma estratégia publicitária comum ganha contornos éticos complexos quando confrontada com os números da Secretaria da Fazenda do Paraná. De acordo com levantamentos recentes sobre transparência fiscal, o governo estadual abriu mão de aproximadamente R$ 59,6 bilhões em impostos entre 2022 e 2024. Desse total, um grupo seleto de 23 grandes empresas concentrou 22% dos benefícios. A Lar Cooperativa figura com destaque nesse ranking, tendo deixado de recolher mais de R$ 470 milhões em tributos no período.

​O “Clube do CNPJ” e a Rota do Progresso

​A relação entre a Lar e o Governo do Estado tem sido estreita. Recentemente, a cooperativa foi incluída no programa “Rota do Progresso”, lançado pelo governador Ratinho Jr. para incentivar a industrialização em municípios de baixo desempenho econômico. Em dezembro de 2024, novos investimentos da Lar em cidades como São José das Palmeiras e Rio Bom foram anunciados com o suporte de incentivos do programa estadual “Paraná Competitivo”.

​A cooperativa, que faturou R$ 23,2 bilhões em 2025 e projeta chegar a R$ 26,4 bilhões em 2026, defende que os incentivos são essenciais para a geração de empregos. Segundo a empresa, a parceria com o apresentador Ratinho visa “reforçar a conexão com diferentes públicos” e expandir a marca para o Norte e Nordeste do país.

​Conflito de interesses em pauta

​Apesar da defesa técnica feita pelo governo — que alega que os incentivos atraem investimentos privados (estimados em mais de R$ 57 bilhões nos últimos seis anos) —, especialistas e críticos apontam para um possível conflito de interesses. O fato de uma empresa beneficiada com quase meio bilhão de reais em renúncia fiscal contratar o pai do gestor público responsável por essas políticas levanta dúvidas sobre a impessoalidade da administração.

​”O cruzamento entre política e negócios de família alimenta críticas sobre a falta de equidade. Enquanto o contribuinte paga a conta da renúncia fiscal, a imagem pública do pai do governador é valorizada financeiramente pela mesma entidade que recebe o benefício”, apontam observadores políticos.

​A contradição é acentuada pelo momento em que o anúncio foi feito, consolidando a Lar não apenas como uma parceira estratégica do desenvolvimento estadual, mas como uma cliente comercial direta da família do governador. Até o fechamento desta matéria, o Governo do Estado e a Lar Cooperativa mantêm o posicionamento de que todos os incentivos seguem critérios técnicos previstos em lei e que a contratação do embaixador é uma decisão estritamente comercial da cooperativa.

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