Mendonça e Gonet entram em rota de colisão por prisões no caso Master
O cenário institucional em Brasília vive dias de temperatura máxima. A condução do caso Master, que investiga uma suposta fraude bilionária de R$ 12,2 bilhões, tornou-se o novo epicentro de um embate direto entre o Judiciário e o Ministério Público. Na última quarta-feira (4), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, explicitaram divergências profundas sobre a urgência de medidas cautelares na Operação Compliance Zero.
O estopim do conflito
O ponto de ruptura ocorreu quando o ministro Mendonça determinou a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e de outros investigados. A decisão foi tomada à revelia da manifestação conclusiva da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Gonet havia solicitado mais tempo para analisar o caso, alegando que o prazo de 72 horas concedido era “exíguo” e de “impossível atendimento”. Em sua manifestação, o PGR afirmou não vislumbrar “perigo iminente” que justificasse a pressa nas prisões.
A resposta de Mendonça
O ministro André Mendonça, que assumiu a relatoria do caso em fevereiro após a saída de Dias Toffoli, rebateu duramente a postura da PGR. Em sua decisão, Mendonça:
- Lamentou a posição da PGR: Classificou como preocupante a relutância do órgão em admitir a urgência diante de provas de crimes graves.
- Citou ameaças reais: A Polícia Federal colheu mensagens em que Vorcaro falava em “dar um pau” em um jornalista e “moer” uma ex-funcionária.
- Apontou riscos à investigação: Houve indícios de acessos indevidos a sistemas sigilosos da PF e da Interpol por parte do grupo investigado.
A crise ameaça aprofundar o fosso entre os gabinetes do STF, especialmente com a revelação de mensagens que citam outros ministros da Corte, aumentando a pressão por uma limpeza institucional definitiva no Sistema Financeiro Nacional.

































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