Romeu Zema e Fátima Bezerra lideram lista de estados no vermelho em 2026
O início de 2026 marca um período de alerta máximo para os governadores brasileiros. Por ser o último ano de mandato, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) impõe restrições severas: os gestores não podem contrair despesas que não tenham lastro financeiro para serem pagas até o dia 31 de dezembro. No entanto, um levantamento recente aponta que sete unidades da federação iniciaram o ano com as contas no “vermelho”, enfrentando desafios para equilibrar os investimentos com a folha de pagamento e dívidas históricas.
No topo da lista de preocupação está o governador de Minas Gerais, Romeu Zema. O estado apresenta o pior cenário fiscal do país, com um saldo de caixa negativo de R$ 11,3 bilhões. A gestão mineira justifica o rombo como um problema estrutural e histórico, mas a situação coloca o estado sob monitoramento rígido do Tesouro Nacional. Logo atrás, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, enfrenta um déficit de R$ 3 bilhões, reflexo de dificuldades persistentes na arrecadação e no controle de gastos correntes.
O mapa do déficit e do superávit
Além de Minas Gerais e Rio Grande do Norte, outros cinco entes federativos começaram 2026 com saldo negativo em suas contas:
- Alagoas: Atribui o resultado a ajustes contábeis após renegociações internacionais.
- Distrito Federal: Registra um déficit de R$ 876,6 milhões.
- Rio Grande do Sul: Sob a gestão de Eduardo Leite, embora tenha conquistado nota máxima em qualidade contábil, o estado ainda luta contra um saldo de caixa pressionado por dívidas históricas com a União.
- Tocantins e Acre: Também figuram na lista dos que iniciaram o ano com balanço negativo, citando antecipação de pagamentos e queda em repasses.
Na contramão do pessimismo, o Paraná, governado por Ratinho Júnior, ostenta a posição de maior “caixa” do país, com R$ 10,5 bilhões disponíveis. O Espírito Santo também se destaca como exemplo de eficiência, mantendo a nota A+ do Tesouro Nacional e apresentando o menor nível de endividamento do Brasil (dívida consolidada negativa de -52,48%), o que permite ao governador Renato Casagrande manter um ritmo elevado de investimentos públicos.
O fator eleitoral e os riscos da LRF
A deterioração fiscal em estados como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul não é novidade, mas o cenário de 2026 é mais complexo devido às eleições. O economista e diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), Alexandre Andrade, alerta que o crescimento das despesas com pessoal acima das receitas tem reduzido a margem de manobra dos estados.
Para os governadores no “vermelho”, o desafio será realizar um ajuste rápido para evitar punições da LRF, que podem incluir desde a proibição de receber transferências voluntárias até sanções jurídicas aos CPF dos gestores. Enquanto isso, estados no “azul” usam a saúde financeira como vitrine política para as disputas que se aproximam, provando que a responsabilidade fiscal tornou-se um dos principais ativos eleitorais de 2026.

































Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.