Lula e Netumbo Nadi-Ndaitwah articulam aliança estratégica em energia e defesa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Namíbia, Netumbo Nadi-Ndaitwah, realizaram uma conferência telefônica nesta terça-feira (10) para discutir o aprofundamento das relações bilaterais, com foco central na transição energética e na cooperação militar. O diálogo ocorre em um momento em que gigantes brasileiras, como a Petrobras, buscam expandir sua presença no mercado africano.
Durante a conversa, Lula destacou a colaboração histórica entre as marinhas dos dois países como um modelo bem-sucedido de integração “Sul-Sul”. O presidente brasileiro reforçou o interesse em ampliar os investimentos em setores de ponta, como o hidrogênio verde — área em que a Namíbia pretende se tornar líder global — e a exploração de petróleo e gás em águas profundas.
Aposta no pré-sal africano
O movimento diplomático acompanha decisões estratégicas de mercado. Recentemente, em fevereiro de 2026, a Petrobras anunciou a aquisição de uma participação de 42,5% em um bloco exploratório offshore na Namíbia, em consórcio com a TotalEnergies. O projeto faz parte do Plano Estratégico 2026-2030 da estatal brasileira, que visa diversificar seu portfólio internacional em áreas com potencial geológico semelhante ao do pré-sal brasileiro.
Apesar do otimismo, o acordo ainda enfrenta trâmites burocráticos locais. O governo namibiano ressaltou que a transação aguarda aprovação regulatória final conforme a nova legislação de transparência fiscal do país.
Hidrogênio verde e visitas oficiais
Além dos combustíveis fósseis, a pauta ambiental foi dominante. A Namíbia tem atraído atenção internacional com projetos que podem elevar seu PIB em até 30% por meio da exportação de hidrogênio renovável. Lula manifestou que o Brasil, sendo uma “potência de energia renovável”, possui sinergias naturais para parcerias técnicas e comerciais com o país africano.
Ao final do contato, os dois líderes acordaram a organização de visitas oficiais a Brasília e Windhoek ainda este ano. A aproximação é vista pelo Palácio do Planalto como um passo essencial para fortalecer a influência brasileira no continente africano e garantir segurança energética em um cenário global de transição.

































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