Protesto no SBT e ação do MPF marcam crise entre Ratinho e Erika Hilton
A sede do SBT, em Osasco (SP), foi palco de uma manifestação intensa na tarde desta sexta-feira (13). Ativistas e integrantes de movimentos sociais, como o MTST, reuniram-se para protestar contra o apresentador Ratinho, após declarações consideradas transfóbicas direcionadas à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). O episódio, que começou com comentários ao vivo, escalou para uma batalha judicial e institucional que agora envolve o Ministério Público Federal (MPF).
O estopim da crise
A polêmica teve início durante o “Programa do Ratinho” na última quarta-feira (11). Ao comentar a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, o apresentador afirmou que ela “não é mulher, é trans” e que o cargo deveria ser ocupado por “mulheres mesmo”. Ratinho ainda declarou que, em sua visão, para ser mulher é necessário “ter útero e menstruar”.
Desdobramentos jurídicos e institucionais
A reação foi imediata e severa. Confira os principais pontos da escalada do conflito:
- Ação do MPF: O Ministério Público Federal ajuizou uma ação civil pública contra Ratinho e o SBT, pedindo uma indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. O órgão argumenta que as falas desumanizam a identidade de gênero e utilizam uma concessão pública para disseminar discurso de ódio.
- Pedido de Suspensão: Erika Hilton protocolou um pedido junto ao Ministério das Comunicações para que o programa seja suspenso por 30 dias. Além disso, ela move uma ação criminal por transfobia, crime equiparado ao racismo.
- Posicionamento do SBT: A emissora divulgou nota afirmando que as opiniões de Ratinho não refletem os valores da empresa e que o caso está sendo tratado internamente. Relatos indicam que a presidência do SBT chegou a telefonar para a deputada para pedir desculpas formais.
O “outro lado”
Em suas redes sociais, Ratinho negou ter cometido crime. O apresentador afirmou que suas falas foram uma “crítica política” e que não teve a intenção de ofender a população trans. “Crítica política não é preconceito. É jornalismo”, declarou o comunicador, que também ameaçou processar quem o acusar de transfobia.
”A defesa da mulher não se limita à biologia, estende-se à identidade de gênero. Televisão é uma concessão pública e não pode ser usada para o cometimento de crimes”, afirmou a defesa da deputada durante as manifestações.
A situação segue em aberto, com a audiência do programa registrando picos em meio à polêmica, enquanto a pressão de anunciantes e grupos de direitos humanos sobre o SBT aumenta.

































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