Fusão entre Afya e Yduqs prevê troca de ações e R$ 750 milhões em dividendos
As gigantes do setor educacional brasileiro Afya e Yduqs (controladora da Estácio) alinharam os termos para uma combinação de negócios que promete reconfigurar o ensino superior e de medicina no país. A operação prevê uma estrutura baseada em troca de ações e o pagamento extraordinário de R$ 750 milhões em dividendos.
Pela proposta acordada entre os grupos, os acionistas da Afya passam a deter 69% da nova companhia combinada, enquanto os investidores da Yduqs ficarão com os 31% restantes. Somadas, as companhias registraram um faturamento consolidado de R$ 9,2 bilhões em 2025.
Troca de ações e fechamento de capital na Nasdaq
Entre os desdobramentos operacionais e societários previstos para a fusão está a saída das ações da Afya da bolsa de tecnologia norte-americana, a Nasdaq. O movimento visa simplificar a estrutura acionária do grupo unificado. O grupo alemão Bertelsmann, atual controlador da Afya, atua para manter o controle da nova empresa combinada.
As tratativas ganharam força com a participação de grandes fundos e instituições financeiras. A gestora Advent, acionista relevante da Yduqs, assim como executivos da Bertelsmann e bancos de investimentos como BTG Pactual, Bank of America e JP Morgan, têm acompanhado os desdobramentos e a estruturação do negócio.
Ativos estratégicos e sinergias de até R$ 2,8 bilhões
O principal motor do interesse estratégico da Afya está na divisão de medicina da Yduqs — capitaneada pelo Instituto de Educação Médica (Idomed) —, além dos cursos de negócios do Ibmec. A aquisição reforça a liderança do grupo no segmento de educação médica, caracterizado por margens elevadas, alta demanda e barreiras de entrada regulatórias.
Análises de mercado feitas por instituições financeiras indicam que a união pode gerar eficiências operacionais significativas. O JP Morgan estima que as sinergias da transação variam entre R$ 1,3 bilhão e R$ 2,8 bilhões, enquanto o Itaú BBA projeta redução de até 20% nas despesas gerais e administrativas (G&A) da operação.
O escrutínio do Cade e os desafios concorrenciais
Apesar do otimismo no mercado financeiro, a transação passará pelo crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Devido à grande concentração de vagas de medicina em praças locais específicas e no âmbito nacional, analistas e o próprio mercado avaliam que o processo exigirá uma análise detalhada sobre a concorrência no segmento de saúde, o que pode incluir a negociação de remédios regulatórios ou venda de ativos para a conclusão definitiva do negócio.
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