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Médico residente do HC-USP ironiza peso de paciente nas redes e vira alvo de apuração institucional por violação ética e sigilo de dados

Médico residente do HC-USP ironiza peso de paciente nas redes e vira alvo de apuração institucional por violação ética e sigilo de dados

​Um caso envolvendo um médico residente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP-USP) gerou forte repercussão e indignação nas redes sociais. O profissional publicou na rede social X (antigo Twitter) uma imagem da tela de um prontuário contendo dados de um paciente atendido na instituição, acompanhada de comentários em tom de piada e ironia sobre o peso e a condição física da pessoa.

​A publicação exibia informações médicas sensíveis, como dados de peso, altura, índice de massa corporal (IMC) e diagnóstico de doença respiratória. Na legenda, o médico utilizou o registro para ironizar a rotina de atendimentos e desabafar sobre as demandas da rotina hospitalar. Embora o nome do paciente não estivesse visível na imagem divulgada, o conteúdo atingiu rapidamente dezenas de milhares de visualizações antes de ser removido.

​Posição oficial do hospital e apuração interna

​Em nota oficial, o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto classificou a atitude do profissional como preconceituosa, inadequada e incompatível com os valores e a postura ética exigidos pela instituição. A direção do hospital informou que acionou suas instâncias administrativas para apurar a conduta do residente e adotar as providências cabíveis.

​Riscos legais e infrações ao Código de Ética

​Especialistas no direito à saúde e bioética alertam que a conduta do profissional envolve violações em diferentes esferas:

  • ​Código de Ética Médica: O sigilo profissional é um dever fundamental do médico. A exposição de informações colhidas no atendimento, especialmente associada a comentários vexatórios ou preconceituosos, fere diretrizes expressas do Conselho Federal de Medicina (CFM).
  • ​Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD): Dados de saúde são classificados como dados pessoais sensíveis. A divulgação de telas de prontuários em ambientes públicos digitais sem consentimento descumpre os parâmetros de proteção e privacidade legalmente exigidos.
  • ​Esfera Civil e Processual: O paciente atingido ou seus representantes legais podem requerer reparação por danos morais devido à conduta vexatória e à violação de privacidade.

​O episódio reacende o debate sobre o uso de redes sociais por profissionais da saúde, o respeito à dignidade do paciente e a responsabilidade das instituições de ensino e atendimento no monitoramento da conduta ética de seus residentes. 


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