Coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro defende substituição gradual de servidores por inteligência artificial
A economista Daniella Marques, coordenadora do plano econômico da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, reacendeu o debate sobre o futuro da administração pública ao defender o uso de tecnologia em substituição ao preenchimento de vagas do funcionalismo público. Em declarações recentes que ganharam forte repercussão, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal sugeriu o aproveitamento da inteligência artificial (IA) para assumir tarefas administrativas e operacionais conforme os servidores atuais forem se aposentando, evitando assim a abertura de novos concursos públicos em determinadas áreas.
A proposta faz parte de um plano mais amplo de reforma administrativa e enxugamento da máquina estatal. Segundo a coordenadora, o avanço tecnológico permite reavaliar a necessidade de reposição de pessoal no serviço público, o que ajudaria a conter o crescimento dos gastos obrigatórios da União e criaria margem orçamentária para a valorização salarial de carreiras estratégicas e essenciais.
O formato da proposta e o debate fiscal
A ideia defendida pela equipe de Flávio Bolsonaro prevê uma transição progressiva. Em vez de demissões diretas, o plano aposta no não preenchimento de postos vagos por aposentadoria no Poder Executivo. Daniella Marques sustentou que manter estruturas burocráticas infladas gera ineficiência e aumenta a carga tributária do país, enquanto a digitalização com ferramentas de IA automatizaria rotinas repetitivas sem prejudicar o atendimento.
Além da automação, o plano econômico da candidatura prevê a redução no número de ministérios para uma faixa entre 20 e 25 pastas, a reestruturação de empresas estatais e a revisão do modelo do funcionalismo.
Reação de entidades e analistas
A fala de Daniella Marques provocou forte reação de entidades representativas do funcionalismo público e de especialistas em gestão. O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) e entidades sindicais questionaram o ritmo e a exequibilidade da medida, pontuando que a taxa anual de aposentadorias no Executivo federal gira em torno de 2,7%, o que exige um planejamento cauteloso para não desfalcar áreas prioritárias.
Críticos da proposta argumentam que a substituição de pessoal por inteligência artificial pode colocar em risco a qualidade de serviços essenciais à população e afunilar a realização de concursos públicos. Por outro lado, defensores da medida alegam que a modernização tecnológica é inevitável e que o setor público precisa adotar ganhos de produtividade semelhantes aos do setor privado.
O tema consolidou-se como um dos pontos centrais da discussão econômica entre as candidaturas presidenciais, contrapondo visões distintas sobre o tamanho do Estado, a digitalização dos serviços e a contratação de novos servidores públicos.
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