Em agenda oficial na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom diplomático ao comentar o cenário geopolítico global e a possível volta de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos. Durante coletiva de imprensa, o mandatário brasileiro não poupou críticas ao estilo de governança do ex-presidente americano e expressou forte preocupação com a escalada de tensões no Oriente Médio, classificando a ideia de uma guerra contra o Irã como uma “maluquice”.
O posicionamento de Lula reforça a tentativa do Brasil de se consolidar como um mediador de paz e um defensor do multilateralismo, distanciando-se de políticas de isolacionismo ou intervenção militar direta.
Geopolítica e segurança internacional
Lula aproveitou a passagem por Berlim para alertar sobre os riscos de uma retórica belicista. Segundo o presidente, o mundo já enfrenta crises suficientes — citando indiretamente os conflitos na Ucrânia e na Faixa de Gaza — e a abertura de uma nova frente de batalha envolvendo o Irã seria catastrófica para a estabilidade econômica e humanitária global.
“O mundo não precisa de novos conflitos. A ideia de uma guerra no Irã é uma maluquice que só interessa a quem não tem compromisso com a vida humana e com o desenvolvimento dos países,” afirmou o presidente.
Foco em energias limpas e terras raras
Além das questões de segurança, a visita teve um forte componente econômico e ambiental. Lula destacou que o Brasil está pronto para ser um protagonista na transição energética. O governo brasileiro busca estreitar laços com a indústria alemã para projetos de:
- Hidrogênio Verde: Transformar o potencial eólico e solar do Nordeste em combustível para exportação.
- Terras Raras: Exploração sustentável de minerais críticos para a fabricação de tecnologias de ponta e baterias, visando reduzir a dependência global da China.
- Descarbonização: Parcerias para modernizar o parque industrial brasileiro com tecnologias de baixa emissão de carbono.
O fator Trump nas relações bilaterais
As críticas a Donald Trump surgem em um momento de incerteza sobre o futuro das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Lula sinalizou que a previsibilidade democrática é essencial para que acordos como o de Mercosul-União Europeia — ainda sob intensa negociação e ajustes — possam finalmente prosperar. Para o governo brasileiro, a volta de políticas protecionistas e negacionistas em relação ao clima representaria um retrocesso nas metas globais estabelecidas no Acordo de Paris.
O chanceler alemão e demais autoridades locais receberam positivamente as propostas brasileiras de cooperação técnica, embora o cenário de instabilidade no Oriente Médio continue sendo a principal “sombra” nas discussões internacionais desta semana.




