Governo Tarcísio e Secretaria de Esportes enfrentam auditoria por sumiço de R$ 23 milhões em materiais

Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) revelou um “apagão” de controle na Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio de Freitas. O órgão de fiscalização aponta que a pasta não consegue localizar o destino de R$ 23,2 milhões em materiais esportivos adquiridos com dinheiro público.
O montante refere-se a itens como bolas, uniformes, troféus e redes que deveriam ter sido distribuídos a municípios e entidades parceiras, mas que não possuem registros de saída ou comprovantes de recebimento.

Falhas graves no controle e armazenamento

De acordo com os dados do TCE-SP, a secretaria apresenta um cenário de desordem administrativa que impede o rastreamento dos insumos. Entre os principais problemas listados no relatório técnico estão:

  • Ausência de Inventário: A pasta não possui um sistema eficiente de controle físico e contábil, impossibilitando saber o que de fato resta nos estoques.
  • Armazenamento Inadequado: Fiscalizações recentes em almoxarifados estaduais e municipais flagraram materiais expostos à umidade, mofo e armazenados diretamente no chão, resultando em perda de patrimônio por deterioração.
  • Falta de Comprovação: Milhares de itens foram retirados das sedes centrais sem que houvesse a assinatura de termos de recebimento pelas prefeituras ou instituições beneficiadas.

Resposta da Secretaria

Em nota oficial emitida nesta segunda-feira (20), a Secretaria de Esportes afirmou que “não compactua com desvios de conduta” e que abriu procedimentos administrativos internos para apurar responsabilidades. A pasta informou ainda que está estruturando novas medidas de controle, com foco na digitalização do monitoramento de estoque e na revisão rigorosa dos contratos de logística.

Contexto de fiscalizações no estado

O caso não é isolado. Em março e abril de 2026, o TCE-SP realizou uma série de fiscalizações ordenadas em todo o estado, atingindo também a área da Educação. Os auditores encontraram situações semelhantes em escolas estaduais e municipais, onde o descontrole de estoque chegou a impedir a entrega de uniformes e kits escolares para cerca de 17% dos alunos em algumas regiões.

“O que vimos nos últimos relatórios é um choque administrativo. Imagens de materiais apodrecendo ou simplesmente desaparecendo sem registro oficial são inaceitáveis para a gestão do erário”, destacou a conselheira Cristiana de Castro Moraes, presidente do TCE-SP.

O governo estadual agora corre contra o tempo para responder aos questionamentos do Tribunal de Contas e evitar que as contas da pasta sejam julgadas irregulares, o que pode gerar sanções diretas aos gestores envolvidos.

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