A criatividade e a resiliência ganharam um novo rosto no Sudoeste do Paraná. André Southier, morador de Francisco Beltrão, transformou um grave acidente de trabalho em um motor para a inovação tecnológica. Após perder a mão direita, ele decidiu não esperar por soluções convencionais e desenvolveu, de forma autônoma, suas próprias próteses utilizando uma impressora 3D.
O projeto, que começou como uma necessidade pessoal, tornou-se um exemplo de superação que agora ganha destaque nacional.
Do acidente à inovação
O acidente que mudou a vida de André ocorreu durante seu expediente, resultando na amputação do membro. Diante do alto custo das próteses biônicas de mercado e das limitações dos modelos estéticos tradicionais, Southier buscou na tecnologia de fabricação digital uma saída para recuperar sua autonomia.
Utilizando softwares de modelagem e uma impressora 3D, ele projetou dispositivos específicos para diferentes funções. Atualmente, André utiliza próteses personalizadas para:
- Trabalho: Ferramentas adaptadas que permitem o manuseio de objetos e a execução de tarefas profissionais.
- Academia: Dispositivos de encaixe que possibilitam a execução de exercícios de musculação com segurança e equilíbrio.
- Lazer: Uma adaptação exclusiva para jogar sinuca, garantindo a firmeza necessária para o taco.
Tecnologia acessível e impacto social
O caso de André reflete uma tendência crescente no Brasil: o uso da impressão 3D para democratizar o acesso a tecnologias assistivas. Enquanto uma prótese importada pode custar dezenas de milhares de reais, a produção em filamento plástico (como PLA ou ABS) reduz drasticamente os custos, permitindo ajustes constantes conforme a necessidade do usuário.
“Eu não queria apenas uma mão que parecesse real, eu queria uma mão que me permitisse voltar a viver minha rotina”, afirma André sobre o processo de criação.
Repercussão e futuro
A história de Southier tem inspirado outros pacientes amputados e atraído a atenção de comunidades de “makers” (criadores) e profissionais de saúde. O próximo passo, segundo entusiastas do setor, é o aprimoramento dos sensores mioelétricos, que podem ser acoplados a essas peças impressas para permitir movimentos ainda mais naturais através de impulsos musculares.
O exemplo de Francisco Beltrão mostra que, com acesso à informação e ferramentas digitais, as barreiras físicas podem ser redesenhadas, literalmente, camada por camada.




