O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), voltou a subir o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF) durante um culto realizado neste domingo (3), na Penha, zona Norte do Rio de Janeiro. Ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Malafaia afirmou ser vítima de “perseguição política” e classificou as investigações da Corte como uma tentativa de silenciar vozes conservadoras no país.
O evento marcou não apenas o discurso de resistência do líder religioso, mas também a consolidação do apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República em 2026.
Perseguição e embate jurídico
Durante a pregação, que tomou contornos de comício político, Malafaia criticou duramente o Inquérito das Fake News, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. O pastor argumentou que as ações judiciais contra ele são “intimidatórias” e que o tribunal estaria extrapolando suas competências constitucionais.
“O que estamos vendo é uma tentativa de calar quem ousa questionar. O inquérito das fake news é uma farsa para atingir aqueles que defendem a liberdade”, declarou o pastor sob aplausos dos fiéis.
Recentemente, o STF decidiu tornar Malafaia réu pelo crime de injúria contra o comandante do Exército, general Tomás Ribeiro de Paiva. A denúncia, oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR), baseia-se em falas do pastor em 2024, quando chamou o Alto Comando militar de “omissos” e “covardes”.
O palanque da Santa Ceia
A presença de Flávio Bolsonaro no altar simbolizou o fim de um período de distanciamento entre o pastor e o “filho 01” do ex-presidente Jair Bolsonaro. Até pouco tempo, Malafaia manifestava preferência pelo nome de Tarcísio de Freitas (governador de SP) para a sucessão de 2026, mas recuou para manter a unidade do grupo político.
- Estratégia Eleitoral: O apoio de Malafaia é considerado vital para unificar o voto evangélico, especialmente entre as alas pentecostais e neopentecostais.
- Reação Jurídica: A transformação do culto em ato político já gera repercussões. A associação Movimento Brasil Laico acionou o Ministério Público, pedindo a inelegibilidade de Flávio Bolsonaro, sob a alegação de uso indevido de templos religiosos para propaganda eleitoral antecipada.
Cenário para 2026
A aliança ocorre em um momento de alta tensão entre os Poderes. Enquanto a oposição articula a anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro, o STF mantém o cerco a figuras centrais do bolsonarismo. Para Flávio Bolsonaro, o apoio explícito de Malafaia reforça sua posição como herdeiro político direto de seu pai, especialmente em um cenário onde o ex-presidente Jair Bolsonaro permanece inelegível.
O clima de “guerra” declarado contra o Judiciário deve ser a tônica das próximas manifestações da direita, utilizando o discurso da liberdade de expressão como principal bandeira de mobilização para o pleito que se aproxima.




