Em um raro momento de diplomacia esportiva em meio a tensões políticas acirradas, o time de futebol feminino da Coreia do Norte, o Naegohyang WFC, viajará para a Coreia do Sul para enfrentar o Suwon FC Women. A partida, válida pela semifinal da Liga dos Campeões Feminina da AFC (Confederação Asiática de Futebol), está marcada para o dia 20 de maio de 2026, no Estádio de Suwon.
Este evento marca a primeira vez em oito anos que uma delegação esportiva norte-coreana pisa em solo sul-coreano — a última vez ocorreu durante o breve degelo diplomático nas Olimpíadas de Inverno de PyeongChang, em 2018. Para o futebol feminino, o hiato é ainda maior: as atletas do Norte não jogavam no país vizinho desde os Jogos Asiáticos de Incheon, em 2014.
Detalhes da visita e segurança
De acordo com o Ministério da Unificação de Seul, a delegação norte-coreana será composta por 27 jogadoras e 12 membros da equipe técnica, totalizando 39 pessoas. A chegada está prevista para o dia 17 de maio, via Pequim.
O governo sul-coreano afirmou que cooperará para que o evento ocorra de forma “calma e confortável”, permitindo que as atletas foquem exclusivamente no esporte. Caso vença o Suwon FC, o Naegohyang avançará para a final no dia 23 de maio, enfrentando o vencedor entre Melbourne City (Austrália) e Tokyo Verdy (Japão). Se perder, a equipe retornará a Pyongyang imediatamente no dia 21.
Contexto de hegemonia e tensão
A visita acontece em um momento em que o futebol feminino da Coreia do Norte vive seu ápice técnico, mas sua relação política com o Sul está no nível mais baixo em décadas.
- Domínio nos gramados: A Coreia do Norte é a atual potência mundial das categorias de base, tendo conquistado os títulos da Copa do Mundo Sub-20 (Colômbia, 2024) e da Copa do Mundo Sub-17 (República Dominicana, 2024, e Marrocos, 2025).
- Geopolítica: Recentemente, o líder Kim Jong Un redefiniu a Coreia do Sul como um “estado hostil”, abandonando décadas de políticas voltadas para a reunificação. Por isso, analistas veem a participação no torneio não como um gesto de amizade, mas como uma obrigação competitiva perante a AFC para evitar sanções e demonstrar força nacional através do esporte.
A partida em Suwon será monitorada de perto por observadores internacionais, funcionando como um termômetro para a segurança de eventos esportivos na região, enquanto as jogadoras norte-coreanas buscam consolidar sua hegemonia agora também no cenário de clubes.




