Requião Filho critica aumento nas tarifas da Copel e classifica privatização como erro histórico

O deputado estadual Requião Filho (PDT) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), nesta segunda-feira (04/05/2026), para disparar duras críticas contra a gestão da Copel. O parlamentar reagiu ao anúncio de revisão tarifária que prevê aumentos expressivos na conta de luz dos paranaenses: cerca de 19,2% para residências e índices que podem chegar a 51% para a indústria.
Durante o discurso, o parlamentar afirmou que a empresa abandonou sua função social e econômica para priorizar o lucro de acionistas. “A Copel, desde a sua privatização, escolhe sempre o valor máximo de aumento autorizado. Se é cinco, ela dá cinco; se é vinte, ela dá vinte”, declarou. Requião Filho comparou o modelo atual com a gestão pública do governo de seu pai, Roberto Requião, quando políticas de incentivo como a tarifa social e o programa Luz no Campo — que expandia a rede para pequenas propriedades — eram prioridades.

Queda na qualidade e custo de vida no Paraná

Um dos pontos centrais da crítica foi a eficiência da companhia. O deputado citou o ranking de continuidade de serviço da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), divulgado em abril de 2026, que posiciona a Copel em 27º lugar no país, ficando entre as piores distribuidoras em termos de interrupção de fornecimento.

“Luz no campo não é luxo, é necessidade. Hoje, comunidades ficam dias sem energia após temporais, enquanto os salários da diretoria só aumentam”, reforçou o deputado.

O impacto financeiro também foi destacado sob a ótica do custo de vida. Segundo dados da Serasa de fevereiro de 2026, o Paraná possui o segundo maior custo de vida do Brasil, atrás apenas do Distrito Federal, com uma média mensal de gastos de R$ 4.300 por habitante.

Dividendos bilionários sob contestação

Enquanto os consumidores enfrentam o reajuste, a Copel aprovou recentemente a distribuição de R$ 1,35 bilhão em dividendos referentes ao exercício de 2025, com pagamentos previstos para este semestre de 2026. Entidades como o Sistema FAEP e o Senge-PR já se manifestaram contra o aumento, classificando-o como “abusivo” diante das recorrentes falhas no fornecimento.
Principais pontos do reajuste em análise pela Aneel:

  • Residencial (B1): Estimativa de 19,2%.
  • Indústria (Classe A3): Pode chegar a 51%.
  • Consulta Pública: Aberta até 22 de maio para manifestações da sociedade civil.
    Ao final de sua fala, Requião Filho defendeu a revisão do modelo de privatização e sugeriu a recompra das ações pelo Estado. “A Copel traiu o povo do Paraná. É possível devolver a empresa aos paranaenses e retomar o desenvolvimento do Estado”, concluiu.
    Material de apoio:
  • Foto oficial na Alep
  • Áudio do discurso completo
  • Vídeo da sessão

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