A finitude da vida costuma ser um tema evitado, mas para o advogado e turismólogo Tiago Pitthan, de 39 anos, ela se tornou o mote para uma celebração única. Diagnosticado com um câncer de pâncreas em estágio avançado e sem possibilidades de cura pela medicina convencional, Tiago decidiu subverter o luto antecipado e realizou, no último fim de semana, um “velório em vida” em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
O evento, que reuniu amigos próximos e familiares, teve como objetivo transformar a despedida em um momento de gratidão e afeto, permitindo que o homenageado ouvisse as homenagens que, geralmente, são proferidas apenas após a partida.
A escolha pela celebração consciente
Diferente do clima sombrio de um funeral tradicional, a celebração de Tiago foi marcada por música, sorrisos e reencontros. O advogado, que sempre teve uma conexão forte com o turismo e as viagens, encarou o evento como a sua “última grande jornada” planejada.
- O Diagnóstico: Tiago enfrenta um adenocarcinoma pancreático, um dos tipos mais agressivos de câncer.
- A Filosofia: Para ele, a ideia de “esperar a morte” não fazia sentido. A intenção foi celebrar a vida enquanto ainda há consciência e presença física.
- O Formato: O encontro não teve caixão ou rituais fúnebres tradicionais, mas sim discursos de agradecimento e memórias compartilhadas.
Repercussão e Cuidados Paliativos
O caso de Tiago Pitthan ganhou as redes sociais e acendeu o debate sobre a importância dos cuidados paliativos e da morte digna. Especialistas apontam que iniciativas como essa ajudam a ressignificar o processo de terminalidade, focando na qualidade de vida e no conforto emocional do paciente.
“Eu não quero que as pessoas chorem por mim quando eu não estiver mais aqui para abraçá-las. Quero o abraço agora”, afirmou o advogado durante a recepção.
O cenário atual da doença
Atualmente, o câncer de pâncreas é um dos maiores desafios da oncologia devido ao diagnóstico frequentemente tardio. No caso de Tiago, após o esgotamento das linhas de tratamento curativo, a opção foi pelo controle de sintomas e pela maximização dos momentos de felicidade ao lado de quem ama.
O gesto corajoso de Tiago deixa um legado sobre a autonomia do paciente e a possibilidade de encontrar beleza e conexão mesmo diante dos prognósticos mais difíceis.




