JBS e MBRF não comentaram ofensiva do governo Trump
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) intensificou nesta semana as investigações sobre uma suposta formação de cartel e manipulação de preços no setor de carnes, mirando diretamente gigantes que operam no país, com destaque para as brasileiras JBS e National Beef (controlada pela Marfrig). A ofensiva, impulsionada por ordens diretas do presidente Donald Trump, busca identificar se o domínio de mercado das chamadas “Big Four” — que controlam 85% do processamento de carne bovina nos EUA — é o responsável pela persistente inflação nos preços ao consumidor.
Detalhes da investigação e pressão política
A movimentação ganhou força após declarações contundentes de conselheiros da Casa Branca. Na última segunda-feira (4), o Procurador-Geral interino, Todd Blanche, confirmou que o governo está revisando mais de 3 milhões de documentos e realizando entrevistas com agentes da indústria.
- Acusações de Cartel: O conselheiro sênior de comércio, Peter Navarro, acusou publicamente a JBS de integrar um cartel, afirmando que empresas estrangeiras “monopolizam os preços” e prejudicam os produtores locais.
- Segurança Nacional: Autoridades do governo Trump classificaram a concentração de mercado em mãos estrangeiras — especificamente brasileiras — como uma potencial ameaça à segurança alimentar e nacional dos EUA.
- Foco Criminal: Diferente de auditorias civis anteriores, o DoJ sinalizou que esta nova fase pode incluir uma investigação criminal antitruste, focada em colusão ilícita para manter os preços elevados nas gôndolas enquanto os valores pagos aos pecuaristas permanecem baixos.
O posicionamento das empresas
Até o momento, a JBS e a Marfrig (citada pelo envolvimento com a National Beef) mantêm uma postura cautelosa. As empresas ainda não comentaram oficialmente os detalhes específicos da nova fase da investigação ou as declarações recentes dos membros do gabinete de Trump. Historicamente, o setor de frigoríficos atribui a alta dos preços a fatores de mercado, como a redução do rebanho americano (o menor em 70 anos) e o aumento dos custos operacionais e logísticos.
Contexto de mercado e guerra no Irã
A pressão sobre os frigoríficos brasileiros ocorre em um momento de instabilidade global. O governo americano tem ligado a turbulência econômica doméstica aos conflitos no Oriente Médio, mas utiliza a investigação das empresas de carne como uma ferramenta política para cumprir promessas de campanha de redução do custo de vida.
Nota do editor: No Brasil, o setor produtivo observa com atenção. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) já manifestou preocupação com os impactos geopolíticos nos preços e solicitou recursos recordes para o Plano Safra 2026/27 para proteger os produtores nacionais de oscilações globais.




