Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 49% das mulheres sofreram assédio em 2025

Um levantamento alarmante divulgado nesta semana pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revela que o assédio contra mulheres atingiu níveis críticos no último ano. Segundo os dados, 49% das brasileiras com 16 anos ou mais relataram ter sido vítimas de alguma forma de assédio ao longo de 2025. O índice é o maior já registrado na série histórica da pesquisa, evidenciando uma crise de segurança e desrespeito que persiste em espaços públicos e privados.

​Os números foram o centro das discussões na abertura da Semana de Combate ao Assédio e à Discriminação 2026, promovida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) nesta segunda-feira (4). De acordo com especialistas presentes no evento, o cenário é agravado pela “invisibilização” do agressor, que muitas vezes não reconhece sua conduta como criminosa.

​Radiografia da violência

​Além do assédio, o balanço de 2025 trouxe outros dados preocupantes sobre a integridade feminina no Brasil:

  • Violência Geral: 37,5% das mulheres sofreram algum tipo de violência (física, psicológica ou sexual).
  • Ofensas Verbais: Cerca de 31% das entrevistadas foram alvo de xingamentos e insultos.
  • Feminicídios: O Brasil registrou aproximadamente 1.470 casos em 2025, o maior número desde que o crime foi tipificado em 2015.
  • Local da Agressão: Dados do Ligue 180 indicam que 70% das agressões físicas ocorrem dentro da própria residência das vítimas.

​O desafio institucional e cultural

​Para a promotora de Justiça Isabela Jourdan, o combate ao assédio não é uma escolha, mas uma obrigação legal e social. Ela destaca que a prática muitas vezes começa de forma sutil, pautada na desqualificação e na objetificação da mulher.

​”É um desafio permanente porque, na prática, o assediador, por vezes, não se vê nesse papel”, afirmou Jourdan durante o evento no TJRJ.

​A procuradora federal Daniela Carvalho reforçou a necessidade de endurecer o debate dentro das instituições públicas e empresas, onde a hierarquia vertical pode camuflar abusos morais e sexuais. A recomendação dos especialistas é a ampliação de canais de denúncia seguros e o investimento em educação para romper com o ciclo de impunidade.

​Como denunciar

​Vítimas ou testemunhas de episódios de violência e assédio podem buscar ajuda pelos seguintes canais:

  • Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (gratuito e anônimo).
  • 190: Polícia Militar (para emergências e flagrantes).
  • Delegacias da Mulher (DEAM): Unidades especializadas para registro de ocorrências.

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