O Ministério do Turismo (MTur), em parceria com a Unesco, lançou oficialmente nesta terça-feira (5) o “Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas”. A publicação chega em um momento de transformação no setor, impulsionado por um dado revelador: quatro em cada dez brasileiras já realizaram viagens sem companhia, e o desejo por autonomia e autoconhecimento nunca esteve tão em alta entre o público feminino.
O documento de 72 páginas não é apenas um manual de etiqueta ou segurança; é uma ferramenta política e social que integra o Pacto Nacional contra o Feminicídio. Segundo o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, o objetivo é que a informação sirva como escudo para a liberdade.
Radiografia da viajante solo brasileira
A elaboração do guia foi baseada em uma pesquisa robusta realizada entre 2025 e 2026 com mais de 2,7 mil mulheres. Os números mostram que o turismo solo deixou de ser um nicho para se tornar uma realidade consolidada:
- 31,4% das mulheres viajam sozinhas com frequência.
- 35,9% das entrevistadas preferem destinos exclusivamente nacionais.
- Motivações principais: Lazer (72,6%), busca por independência (65,1%) e autoconhecimento (41,4%).
O que o guia oferece na prática
O material foi estruturado para cobrir todas as etapas da jornada, desde o planejamento até o retorno, focando em reduzir a vulnerabilidade diante de situações de assédio ou insegurança infraestrutural.
- Escolha do destino: Orientações sobre como avaliar a iluminação pública, a facilidade de transporte e a reputação de segurança de bairros específicos.
- Hospedagem e serviços: Diretrizes para identificar estabelecimentos que possuem protocolos de acolhimento e respeito à privacidade da mulher.
- Rede de proteção: Dicas para manter contatos de emergência (como o Ligue 180) e o uso estratégico de tecnologias de geolocalização.
- Responsabilidade do setor: O guia também dedica uma seção a donos de bares, hotéis e restaurantes, ensinando como treinar equipes para evitar comportamentos invasivos e garantir um ambiente seguro.
“O guia nasce de uma observação clara: muitas mulheres querem explorar o mundo, mas a falta de informação sobre segurança ainda é o maior freio. Queremos transformar o medo em planejamento”, destaca Anelise Zanoni, jornalista e uma das consultoras do projeto.
Tendências e destinos seguros para 2026
Complementando as diretrizes do governo federal, rankings internacionais de segurança para 2026 apontam que cidades como Reykjavik (Islândia) e Copenhague (Dinamarca) lideram o topo global para mulheres. No Brasil, o foco do novo guia é fortalecer destinos de ecoturismo e bem-estar, como a Chapada Diamantina (BA) e imersões na Amazônia, que têm se adaptado com roteiros específicos para grupos femininos ou viajantes individuais.
O material completo está disponível para download gratuito no portal oficial do Ministério do Turismo, servindo como um convite para que a liberdade de ir e vir seja, finalmente, um direito plenamente exercido por todas as brasileiras.




