Uma série de ataques coordenados abalou o departamento do Cauca, no sudoeste da Colômbia, resultando em pelo menos 14 mortos e 38 feridos. A tragédia ocorreu neste último sábado (25), em meio a uma onda de violência que as autoridades atribuem a grupos dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), especificamente sob o comando do líder conhecido como Iván Mordisco.
O incidente mais grave foi registrado na Rodovia Pan-Americana, no trecho conhecido como “El Túnel”, que conecta as cidades de Cali e Popayán. Segundo relatos de testemunhas e autoridades locais, um artefato explosivo atingiu um ônibus de passageiros que transitava pela via. Imagens divulgadas por agências internacionais mostram o veículo completamente destruído e marcas de crateras no asfalto. Entre as vítimas fatais, foi confirmada a morte de cinco menores de idade, o que gerou forte comoção nacional.
Escalada tecnológica e ataques coordenados
A jornada de violência no Cauca começou ainda nas primeiras horas de sábado com um ataque inédito utilizando um drone explosivo contra um radar aéreo que controla a aviação na região. Esse movimento demonstra uma sofisticação tática das facções criminosas, que passaram a integrar drones ofensivos em suas operações para neutralizar infraestruturas do Estado.
Além do ônibus-bomba e do ataque ao radar, um terceiro atentado na mesma região deixou pelo menos sete indígenas feridos. O comandante das forças militares, Hugo López, informou que foram registrados 26 ataques na região sudoeste apenas nos últimos dois dias, incluindo investidas contra bases militares em Cali e Palmira.
Reação do governo e contexto eleitoral
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, manifestou-se duramente através das redes sociais, classificando os responsáveis como “terroristas, fascistas e narcotraficantes”. Petro comparou a periculosidade de Iván Mordisco à de Pablo Escobar e ordenou o deslocamento dos “melhores soldados” para a região com o objetivo de conter a ofensiva.
A violência ocorre em um momento de extrema tensão política, a apenas um mês das eleições presidenciais no país. Especialistas apontam que o aumento dos ataques visa desestabilizar o processo democrático e demonstrar o fortalecimento das dissidências das Farc, que romperam com os acordos de paz e intensificaram o controle territorial em áreas estratégicas para o narcotráfico, como o departamento do Cauca.
As autoridades de saúde do Cauca, lideradas pela secretária Carolina Camargo, seguem em alerta máximo para o atendimento dos 38 feridos, muitos dos quais em estado grave nos hospitais de Popayán e Cali.




