Imagens inéditas em vídeo registram o momento em que o empresário Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, ex-corretor ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), apresentou documentos, áudios e relatos detalhados ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) comprovando uma tentativa de extorsão de R$ 30 milhões por parte de policiais civis. O material balizou uma robusta investigação que culminou no indiciamento e no pedido de condenação de diversos agentes públicos por envolvimento em um esquema estruturado de propinas e lavagem de dinheiro.
O caso ganhou contornos ainda mais dramáticos após o assassinato de Gritzbach por fuzilamento em novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de Guarulhos. A execução, apontada pelas autoridades como queima de arquivo e vingança orquestrada pela facção criminosa e por agentes públicos corruptos, expôs o profundo nível de infiltração do crime organizado nas forças de segurança de São Paulo. Ao todo, as investigações decorrentes de sua delação — incluindo a Operação Tácitos e a força-tarefa subsequente — escancararam o envolvimento de dezenas de policiais civis e militares com o PCC e com o Comando Vermelho (CV).
Recentemente, as investigações do caso apresentaram desdobramentos cruciais na esfera jurídica. O Ministério Público de São Paulo formalizou o pedido de condenação de sete policiais civis e outros quatro investigados pelas cobranças milionárias e blindagem ilícita de criminosos. Dentre os acusados de envolvimento na extorsão de Gritzbach figuram delegados e investigadores de polícia que, de acordo com o relatório da Polícia Federal, operavam um sistema de inversão de valores, utilizando-se de cargos públicos para o enriquecimento ilícito.
Paralelamente, o andamento do julgamento dos principais acusados de executar o empresário sofreu alterações. O Tribunal do Júri que julgará três policiais militares — Denis Antônio Martins, Ruan Silva Rodrigues (apontados como os atiradores) e Fernando Genauro da Silva (acusado de dar fuga aos executores) — foi anulado após manobras da defesa e remarcado pelo Poder Judiciário paulista para o período entre 22 e 27 de fevereiro de 2027. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou os pedidos de liberdade e manteve a prisão preventiva dos agentes, sob o entendimento de que os réus integram uma perigosa rede ligada ao crime organizado.
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