O presidente Luiz Inácio Lula da Silva direcionou o foco de suas viagens domésticas nas últimas semanas para as regiões do país onde registrou os piores índices de votação nas eleições de 2022. A estratégia busca reverter a resistência eleitoral histórica nessas localidades, consolidar palanques políticos regionais e impulsionar a popularidade do governo federal diante do calendário institucional.
Entre os principais destinos do chefe do Executivo estão estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. Nessas regiões, de perfil majoritariamente conservador ou com forte influência do eleitorado bolsonarista, o petista tem focado em agendas públicas expressivas, que reúnem prefeitos, governadores e lideranças partidárias locais.
A aceleração dos compromissos pelo território nacional ocorre em um momento crucial. O governo federal corre contra o relógio para viabilizar inaugurações de obras de infraestrutura e anúncios de investimentos públicos antes do início do defeso eleitoral, previsto para o início de julho de 2026. A legislação restringe a participação de autoridades em eventos que possam ser configurados como propaganda ou vantagem eleitoral antecipada para os pleitos municipais que se aproximam.
Além da pressa institucional, a ofensiva em redutos oposicionistas já gera atritos políticos diretos. Em uma de suas recentes manifestações sobre o estado de Santa Catarina, Lula fez declarações que geraram forte reação do governador catarinense, Jorginho Mello (PL). O mandatário estadual rebateu as falas do presidente utilizando dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), destacando os baixos índices de desigualdade social do estado em contraposição às críticas do Palácio do Planalto.
Mesmo com o recente aumento no fluxo de viagens, levantamentos apontam que a movimentação territorial da atual gestão em anos eleitorais tem sido mais contida em comparação a mandatos anteriores, focando de forma mais cirúrgica nos maiores colégios eleitorais e em regiões estratégicas de articulação política. Com as restrições legais prestes a entrar em vigor, o Planalto aposta as últimas fichas na entrega de benefícios sociais e econômicos diretos para tentar reduzir a rejeição nesses estados e unificar sua base de apoio.
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