Estados Unidos de Donald Trump utilizam Copa do Mundo de 2026 como vitrine política e revivem paralelos históricos com a Itália de Mussolini

​Bem-vindo ao campo de batalha: a Copa do Mundo de futebol masculino de 2026 começa como um cartão de visitas da intenção de submeter o planeta à pretensa grandiosidade dos Estados Unidos.

​A realização do torneio durante o segundo mandato do presidente Donald Trump aponta para outra experiência autoritária, que invadiu o esporte e redefiniu a história dos Mundiais: sob o controle de Benito Mussolini, a Itália sediou o evento em 1934 e também se empenhou para propagandear um suposto esplendor perante as demais nações.

​O espetáculo como ferramenta de controle e exclusão

​Assim como o regime fascista italiano usou os gramados na década de 1930 para projetar força e o nacionalismo exacerbado, o governo norte-americano adota uma postura que mistura a exaltação da soberania econômica com políticas rígidas de isolamento. Enquanto o presidente da Fifa, Gianni Infantino, projeta um impacto financeiro bilionário e o próprio Trump exalta o sucesso de bilheteria — comparando o ritmo do torneio a “três Super Bowls por dia durante um mês” —, os bastidores revelam tensões diplomáticas e restrições severas.

​As controversas barreiras migratórias da atual gestão de Washington trouxeram à tona o caráter excludente desta edição do torneio. Em uma declaração polêmica, Trump afirmou publicamente que o país trabalha para garantir a entrada apenas das “pessoas certas”. O reflexo prático dessa política foi imediato: o árbitro somali Omar Artan, escalado oficialmente pela Fifa, foi formalmente impedido de ingressar em território estadunidense, mesmo portando um visto válido, sob a alegação governamental de supostas ligações com organizações de risco. Enquanto isso, o Canadá, que divide a organização da Copa com o México e os EUA, declarou que o profissional seria bem-vindo em seu território.

​Tensões geopolíticas e interferências nos gramados

​O clima de vigilância e imposição ideológica também se estendeu aos uniformes das seleções. A Federação Haitiana de Futebol foi notificada pela Fifa para alterar suas camisas oficiais devido à estampa que retratava a Batalha de Vertières (1803), marco decisivo para a independência do Haiti contra o domínio francês. O redesenho foi exigido sob o argumento de evitar manifestações políticas nos estádios.

Críticas internas: Apesar do discurso oficialista de grandeza e do esforço em transformar o megaevento em palanque, a ausência de Donald Trump no jogo de estreia da seleção norte-americana gerou fortes protestos por parte dos torcedores nas redes sociais, que acusaram o mandatário de utilizar o futebol puramente como conveniência econômica e nacionalista, preferindo comparecer a eventos de lutas do UFC.

​A maior estrutura da história dos mundiais

​Em termos puramente esportivos, o torneio de 2026 consolidou-se como o maior já realizado, espalhado por uma dimensão territorial sem precedentes na América do Norte.

  • Seleções participantes: 48 equipes nacionais (expandido do antigo formato de 32).
  • Total de partidas: 104 jogos distribuídos em 12 grupos.
  • Países-sede: Estados Unidos, México e Canadá.
  • Cidades-sede norte-americanas: 11 cidades, incluindo metrópoles como Los Angeles, Nova York/Nova Jersey, Miami e Boston.

​Se em 1934 Mussolini utilizou a vitória da Azzurra para consolidar o orgulho fascista perante a Europa, os Estados Unidos de 2026 desenham sua própria narrativa de poder. O torneio expõe a constante e inevitável colisão entre a festa do futebol globalizado e as agendas políticas domésticas de líderes que enxergam no esporte o palco ideal para demonstrar controle.


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