A Federação de Futebol do Irã (FFIRI) acusou publicamente o governo dos Estados Unidos de revogar a cota de ingressos destinada aos torcedores iranianos para a Copa do Mundo. A decisão ocorre a pouquíssimos dias do início do torneio mundial, que começa oficialmente nesta quinta-feira (11 de junho).
De acordo com o comunicado emitido pela federação iraniana, a cota de 8% dos ingressos por partida — assegurada pelas normas da Fifa para as federações dos países participantes — foi retirada de forma inesperada pelas autoridades norte-americanas, inviabilizando a distribuição das entradas.
A entidade esportiva do Irã lamentou profundamente a medida e ressaltou que a ação prejudica diretamente os torcedores que já haviam feito investimentos financeiros e planos de viagem baseados nos processos oficiais de venda. Em nota, a FFIRI declarou que o ato é “contrário ao espírito que rege as competições internacionais e ao princípio da igualdade entre os países participantes”.
Tensões geopolíticas e restrições logísticas
O episódio adiciona mais um capítulo de atrito diplomático entre Washington e Teerã, refletindo-se diretamente na logística esportiva do torneio. Além do veto aos ingressos, a própria seleção do Irã vem enfrentando severas dificuldades impostas pelas políticas de imigração norte-americanas.
A delegação iraniana foi autorizada a entrar nos Estados Unidos para os dias de jogos, mas está proibida de permanecer em solo americano nos períodos de intervalo entre as partidas. Como consequência, os atletas precisaram estabelecer sua base oficial de treinamentos em Tijuana, no México, e serão obrigados a cruzar a fronteira de volta ao território mexicano logo após o término de cada compromisso ou sessão preparatória. O técnico da seleção do Irã, Amir Ghalenoei, criticou duramente as restrições de vistos, afirmando que a necessidade de deslocamentos constantes compromete o período ideal de adaptação ao fuso horário e o rendimento físico dos jogadores.
Outros incidentes relacionados às rígidas políticas de imigração dos Estados Unidos nas vésperas da Copa do Mundo também geraram controvérsias nos últimos dias, incluindo a deportação de um árbitro da Somália logo após seu desembarque no país e queixas de tratamento humilhante em revistas de segurança relatadas por atletas de Senegal e do Uzbequistão.
Até o momento, a Fifa e o governo dos Estados Unidos não se pronunciaram oficialmente sobre as denúncias apresentadas pela Federação Iraniana. O Irã integra o Grupo E da competição e fará sua estreia no dia 15 de junho contra a Nova Zelândia. Suas partidas seguintes, contra Bélgica (21 de junho) e Egito (26 de junho), estão agendadas para ocorrer em território estadunidense, sob forte clima de incerteza para a torcida do país.








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