O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante Butantan-DV, desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida, de caráter preventivo, foi tomada após o monitoramento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) identificar 42 casos de reações adversas severas e duas mortes suspeitas entre as mais de 501 mil pessoas que já haviam recebido a dose única no país até o dia 30 de maio.
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a interrupção não anula a eficácia comprovada da vacina, que protege contra os quatro sorotipos da doença, mas funciona como um sinal de alerta indispensável para a segurança pública. Os episódios graves ocorreram majoritariamente no grupo de profissionais de saúde da atenção primária, público-alvo prioritário da estratégia iniciada em fevereiro. O laboratório japonês Takeda, que produz a vacina Qdenga (utilizada no SUS para a faixa de 10 a 14 anos), segue com seu cronograma normal, sem qualquer relação com a suspensão atual.
Próximos passos e orientações à população
Com a paralisação do cronograma, os esforços agora se concentram na investigação detalhada dos casos reportados:
- Investigação minuciosa: O Instituto Butantan, em parceria com a Anvisa e o Ministério da Saúde, conduzirá uma análise profunda que avaliará o histórico clínico das vítimas, a existência de doenças preexistentes, possíveis desvios de qualidade nos lotes ou falhas na administração das doses.
- Monitoramento dos vacinados: Especialistas da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) esclarecem que quem recebeu o imunizante há mais de 21 dias não precisa se preocupar. No entanto, quem foi vacinado nas últimas três semanas deve ficar atento ao surgimento de sinais como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura ou sangramentos, devendo procurar atendimento médico imediato e informar sobre a vacinação caso note tais sintomas.
O governo federal informou que o prazo de suspensão dependerá da velocidade das apurações do Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi), reforçando que a prioridade absoluta é garantir respostas claras à população antes de qualquer retomada da campanha.








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